Editorial setembro 2017

Um viva ao bom senso
A Câmara dos Deputados, pelo voto de 262 de seus membros, ressalvadas algumas esdrúxulas dissidências, jogou para a frente o julgamento de denúncias de corrupção passiva contra o presidente da República, decisão que a identifica como uma Casa onde impera o bom senso. Foi uma vitória alcançada em nome da estabilidade política e recuperação econômica do país. Economia e política devem seguir lado a lado. Ou ambas avançam com serenidade, mas firmes, ou ambas desandam, uma levando a outra para destino indesejável.
Aí está. O presidente da República seguirá à frente dos negócios do País e, segundo tem prometido, passará a locomotiva ao sucessor em boa marcha, sem percalços. É o que os brasileiros desejam: que a pacificação política se perpetue, respeitados os direitos da Oposição de ponderar, contestar, protestar, fiscalizar, denunciar, quando for o caso, porque assim é a democracia.
Espera-se, agora, que a economia cresça, aumentando o número de empregos que permitirão acelerar o consumo e possibilitar maior arrecadação, que dará aos governos condições de pôr suas contas em dia. A normalização das do Governo Federal terá o reforço de um pacote de maldades, como se costumavam chamar medidas antipáticas que afetassem o salário dos servidores ou as finanças do povo. Já se falou até em aumento de impostos.
Paira ainda a ameaça de novo processo contra o presidente. O procurador geral da República, em vésperas de deixar para trás a cadeira, promete enviar ao Supremo Tribunal Federal nova denúncia, mas certamente também desta Temer se livrará, ainda que precise utilizar os meios de que lançou mão para ganhar votos no primeiro confronto com a Oposição. Espera-se que dentro da lei. O procurador talvez nem consiga fazer a carga que pretende, porque poderá ficar sob suspeição.
A conquista dos votos do Governo no memorável embate da Câmara dos Deputados teve um custo, dentro do princípio “é dando que se recebe”. O povo, representado pelo Governo, deu tudo, algo em torno de R$ 10 bilhões em favorecimento a produtores rurais. Proclamado o resultado, com apoio maciço da bancada ruralista ao Governo, o povo elevou a expectativa de que agora sua vida vai melhorar.