Editorial novembro 2017

Vem aí a festa da democracia
Mais uns dias e entraremos em 2018, ano eleitoral, período em que se acendem as boas intenções de cidadãos que querem salvar o país da miséria moral em que foi lançado. Serão, como sempre, promessas e mais promessas, cada candidato expondo suas qualidades e omitindo os defeitos. Serão na maioria discursos vazios, propostas inviáveis, acusações, ofensas, verborragia que ofende o eleitor e lhe tira a paciência, levando-o a cumprir a burra obrigação de comparecer à seção eleitoral, mas anulando seu voto, descartando a única arma legal para tentar mudar o quadro político do país. Dos mais impertinentes e arrogantes não se ouvirão exposição de ideias – por lhes faltarem; nem as reais pretensões – por serem escusas.
Muito se falará que é preciso saber escolher. Como? Votando no amigo, no parente? Nem aí mora a certeza.
Serão eleições proporcionais, vereadores, deputados estaduais e federais e um terço dos senadores, num complicado sistema em que alguém atira em A e acerta em B. Ainda longe do ano fatídico já os parlamentares discutiam uma reforma política que girava em torno de financiamento de campanha.
Financiamento é a palavra-chave, que pode englobar e escamotear assemelhadas, não necessariamente sinonímias, como dinheirinho fácil, grana, cala-boca, toma-lá-dá-cá, propina, poupança no exterior, Suíça, de preferência.
Por força de emenda constitucional, as eleições estão marcadas para 7 e 28 de outubro, primeiro e segundo turno se e onde houver necessidade. Serão eleitos presidente da República (se não houver acidente de percurso), governadores, 54 senadores, deputados federais e deputados estaduais e distritais.
Há que se estar preparado para mais do mesmo. Algumas manobras políticas somente vazam quando estão próximas dos finalmente, e em pouco tempo explodem mutretas e cambalachos cuja percepção escapara aos mais argutos observadores; noutros casos, torna-se tão flagrante os acordos, feitos aos cochichos, a distribuição de vantagens por uma contrapartida negociada, que até os mais tolos ou desligados do fechado mundo de Suas Excelências acompanham. Nas duas formatações descritas estão arranjos em que fica de fora o conjunto três em um: povo/eleitor/contribuinte.