Editorial janeiro 2018

Das contas e das esperanças
Edição de dezembro, lugar de prestar contas e renovar votos  e  propósitos para o ano então prestes a nascer. A Razão não tinha contas a prestar, eis que durante todo o ano, tanto quanto desde seu surgimento, manteve linha austera na defesa do Direito e dos direitos dos que não dispõem de meios de defender-se da opressão, da espoliação, da corrupção, da bandidagem de colarinho branco e da bandidagem de bermuda, camiseta e fuzil na mão.
O que nos ofereceu, então? A pergunta “o que esperar do próximo ano?” Este em que já estamos, é óbvio. E listou sonhos pessoais e coletivos, aspirações à paz e à felicidade, melhorias das condições materiais, que ninguém é apenas espírito, e possibilidade de confiança em seus governantes, se eles vierem a comprovar probidade no trato da coisa pública, o que, para tristeza da nação brasileira, ainda está distante.
Citou com segurança que já não havia “mais que se reclamar de risco à estabilidade política, que foi consolidada, na verdade a um preço muito alto, mas foi.” Ainda assim, resguardado o mandato do presidente da República  e com ele a segurança das instituições, que poderia sofrer abalo se a Câmara dos Deputados não tivesse despachado para o próximo ano o julgamento das acusações feitas pela Procuradoria Geral da República, Legislativo e Executivo não se afinam com relação à reforma previdenciária. Votá-la nos últimos dias de 2017 ou na abertura do novo ano legislativo tornou-se discussão mais acalorada que a das emendas ao projeto.
De resto, o que mais esperar de 2018? No Brasil é possível prever que a qualquer momento acontecerá algo imprevisível, inimaginável.
Pois é, em outubro teremos eleições. Até lá muitos sorrisos congelados na tela da TV. À medida que se aproximar o Dia D irá aumentando a quantidade de santinhos acumulados nas calçadas à espera de um temporal para fechar bueiros e inundar cidades, sempre vulneráveis a chuvas intensas. Como em toda eleição proporcional, haverá candidatos que nem aparecerão no horário gratuito da TV. Como votar neles se não se sabe que estão concorrendo? E talvez esses sejam honestos, e por isso afastados da disputa pelas cúpulas partidárias.
Por fim, esperar para ver o que mais está em baixo do tapete, que surpresas nos oferecerão as lava-jatos.