Editorial junho 2018

Insegurança e incerteza

Perdeu! Ecoa aos quatro cantos uma voz sinistra que simplesmente diz “perdeu!”. É a senha para o cidadão despojar-se dos poucos bens que consegue portar ou transportar, se os tem. E o malfeitor, que indiscriminadamente aborda homens, mulheres com crianças, adolescentes com uniformes escolares, segue, tranquilo, certo da impunidade. A vítima refaz-se do susto, sente-se feliz porque poderia ter sido pior. Quantos casos são registrados de pessoas baleadas pelos assaltantes após, sem qualquer reação, lhe haverem passado dinheiro, carteira, bolsa, telefone celular (Ah! a paranoia do celular!). Em algumas dessas ocorrências a vítima perde a vida e quase todas acabam resumidas ao número de um inquérito no arquivo de uma delegacia policial.

A abordagem dos assaltantes se dá na rua, nas lojas, nas residências; são alvos incautos pedestres, motoristas, e frequentadores de shoppings e bares. Neste caso, a vítima perde o carro além dos pertences portáteis. Mais registros policiais, mais inquéritos, mais números na longa lista de casos não solucionados. Autoridades da área de Segurança apressam-se em informar que há diligências em andamento, mas que faltam policiais para dar maior rapidez às investigações. Falta armamento e dinheiro, também. O povo entende que falta qualificação, treinamento e empenho.

Outro som terrível é o dos tiroteios diários aqui, ali e acolá, no morro e no asfalto; é polícia contra traficantes e milicianos, traficantes contra traficantes de outras facções. As trocas de tiros levam ao fechamento de ruas e avenidas, à paralisação do transporte público.

Ah, sim, este comentário nada acrescenta ao que a população do Rio de Janeiro está acostumada a presenciar ou acompanha pelo noticiário de rádio e TV. Não era mesmo este o objetivo. O que se pretende com a lembrança da agonia que martiriza quem vive nesta cidade é aglutinar as lamentações de quantos renovaram a esperança de um pouco de paz, quando a intervenção federal na Segurança do Rio começasse a atuar. Havia a expectativa de que os resultados surgiriam com rapidez, que as pessoas poderiam ir e vir sem medos e desconfianças. Que nada! A esperança não morre, mas pergunta: os mirabolantes e tanto tempo preparados planos de ação dos interventores já estão em execução?