Fobia e seus tipos

fobia

Marclei Barbosa Santiago

Militante da filial Patrocínio (BH/MG), professor universitário

Vindo do grego Fhobos, a palavra fobia significa terror ou medo intenso. Esse termo começou a ser utilizado no século XIX, designando medo acentuado, desproporcional ao estímulo. Phobos é chamado de personificação do medo e do terror.

Fobia é um sentimento exagerado de medo e aversão por algo ou alguém. A fobia pode ser definida como manifestação de ansiedades e medos persistentes, exacerbados e sem propósito, incontroláveis e paralisantes. Ela desencadeia estado de angústia, causa sofrimentos intensos, prejudica a qualidade de vida da pessoa, influenciando diretamente em sua capacidade de realização pessoal, profissional e social. A fobia é um progressivo e exagerado medo em nível não naturalmente esperado. É uma manifestação exagerada da ansiedade, que alcança níveis estratosféricos que efetivamente nos congela, nos paralisa, nos impedindo de adotar postura encorajadora e de enfrentamento da realidade. O processo fóbico é uma doença, uma disfunção, é uma patologia que precisa ser tratada, cuidada, eliminada. A fobia, efetivamente, decorre de um trauma, do qual o ser não consegue libertar-se facilmente e que o faz reagir com um medo excessivo, exagerado, difícil de controlar. Fobias podem começar cedo, crianças e adolescentes desenvolvem medos hiperdimensionados, que os impedem de praticar ações corriqueiras como, inclusive, frequentar a escola, afetando sua qualidade de vida e aprendizado.

Fobias em crianças. Pais e responsáveis fiquem atentos, pois os transtornos de ansiedade são apontados como os mais predominantes em crianças e adolescentes. Dentre os transtornos de ansiedade, é possível destacar a fobia escolar, que pode ser uma das causas das dificuldades escolares nessa faixa etária. Ela é compreendida como um medo exagerado e injustificado que a criança ou o adolescente sentem em ir à escola. O simples fato de uma possível aproximação com o estímulo fóbico (escola) gera intensa reação de angústia e estado de apreensão, acompanhada de várias reações físicas e mentais desconfortáveis. Reconhecer a “irracionalidade” torna-se difícil para a realidade psíquica de quem é portador de fobia, por isto a pessoa fóbica, principalmente a criança ou o adolescente, acredita veemente na realidade do que cria como símbolo fóbico – objeto ou circunstância –, como produto de sua análise intelectual. Segundo especialistas em fobias, os motivos que levam uma criança ou um adolescente a desenvolver fobia escolar podem ser vários ou uma conjunção deles: predisposição genética, estressores familiares, bullying, transtornos de aprendizagem, mau desempenho escolar, mudanças de escola, e diversos outros motivos. Sabe-se que a fobia escolar pode desencadear outros medos, como evasão escolar, repetências, ausência de socialização com os colegas, baixa autoestima. Se não percebida e tratada, pode trazer danos para o decorrer de toda a vida, podendo evocar desamparo, separação, abandono, insegurança e perda de amor.   

Quando a sensação de ansiedade passa a ser constante, persistente ou extrema, pode evoluir para um transtorno com vários espectros, desencadeando problemas psicossomáticos. Nesse contexto, pode surgir a fobia, que, segundo pesquisadores, carrega alto nível de ansiedade, que interfere direta e negativamente na vida do seu portador. Fobia é o lado patológico do medo acentuado, hiperdimensionado. A fobia desencadeia um estado de angústia e sofrimento intensos. É clínica e classificada tanto na Classificação Internacional de Doenças (CID) quanto na Classificação da Associação Psiquiátrica Americana (DSM). Segundo o manual Diagnóstico e Estatístico de transtornos Mentais, “a fobia é a ocorrência de um temor persistente que é excessivo ou irracional, desencadeado pela presença ou antecipação de um objeto ou situação específicos”. Fobia vem sendo alvo de uma série de pesquisas científicas e estudos, dentro de um espectro amplo das áreas da saúde, e tem inúmeras definições que caracterizam tipos, segundo as visões psicanalítica, comportamental e médica.

Tipos de Fobia. Especialistas em desenvolvimento da criança, da psicologia educacional, da psiquiatria e neuropsiquiatria da infância e adolescência e, também, de outras áreas afins, descrevem alguns tipos de fobia, umas comuns outras até estranhas. Cada fobia tem um nome específico: fobofobia – medo de fobias; claustrofobia – medo de estar em lugares fechados; rupofobia – medo exagerado de entrar em contato com sujeira ou objetos sujos; alodoxafobia – medo de opiniões; anemofobia – medo de correntes de ar ou vento; automatonofobia – medo de ventríloquos, bonecos, estátuas de cera; bufonofobia – medo de sapos; ergofobia – medo de trabalho; escatofobia – medo de material fecal; gefirofobia – medo de atravessar pontes; mastigofobia – medo de castigo ou punição; misofobia – medo de ser contaminado com sujeiras ou germes; nictofobia ou escotofobia ou acluofobia  – medo do escuro ou da noite; octofobia – medo do número oito; oftalmofobia  – medo de ser encarado; ornitofobia – medo de pássaros; papirofobia – medo de papel; siderodromofobia  – medo de trens; telefonofobia – medo de telefones; tanatofobia – medo de morrer ou da morte; xenofobia – medo de estranhos ou estrangeiros; zoofobia – medo de animais; coprofobia – medo de defecar; aracnofobia – medo de aranhas; coulrofobia – medo de palhaços; brontofobia ou astrofobia – medo de trovões; pediofobia – medo de bonecos; isolofobia – medo de ficar sozinho; entomofobia – medo de insetos; aicmofobia / aiquimofobia / belonofobia – medo de agulhas ou injeções; odontofobia – medo de ir ao dentista; fonofobia – medo de barulhos repentinos ou fortes; claustrofobia – medo de lugares fechados ou com muitas pessoas; acrofobia – medo de altura; catsaridafobia – medo irracional de baratas. Existem ainda inúmeras outras fobias, algumas muito estranhas, como medo de tomar banho, de sujeira ou micróbios, de plantas, da lua, entre outras, ainda consideradas até bizarras e raras.

  

Reações fóbicas. A gravidade dos sintomas de fobia vai depender da estrutura psíquica de cada um e de que forma essa experiência do medo ficou marcada para aquele que passou por tal situação. As reações mais comuns são a fuga e a paralisia diante da situação. A tendência do fóbico será sempre evitar, a todo custo, o contato com o objeto ou circunstância fóbicos, ou seja, aquilo que possa desencadear suas reações de medo. Ele reconhece que seu medo é exagerado, excessivo, mas não consegue controlá-lo.

Influências culturais. Embora os medos e as fobias sejam mecanismos biológicos e psíquicos, essas emoções podem ser de certa forma influenciadas culturalmente também e, assim, a sociedade contemporânea vem desenvolvendo novas fobias e desencadeando novos medos incorporados a uma cultura narcisista e violenta, como: medo da velhice, medo de perder a beleza corporal, medo de não ser aceito dentro de um padrão estipulado socialmente, entre tantos outros que assolam a sociedade atual.

Tratamento indicado pela ciência. É preciso investigar as causas biológicas, ambientais e psicológicas envolvidas nas fobias. A gravidade das fobias pode variar, e dependendo do caso é necessária, além de terapia psicológica, a utilização de medicamentos. Em todos os casos é fundamental compreender a origem da fobia, e esse processo pode ser facilitado com a avaliação psicológica. O trabalho de investigação dos medos começa com a autoconsciência. A fobia não vai embora sozinha. É preciso aceitar que existe um problema, conhecer a raiz desse problema para, então, confrontá-lo, procurando estratégias para que haja modificação desse comportamento e dessas emoções.