Como conhecer a si mesmo?
A resposta para essa pergunta parece óbvia no entendimento daqueles que já participaram do estudo sobre a vida transcende oferecido pelo Racionalismo Cristão: o esclarecimento espiritual. Mas como chegar a esse esclarecimento espiritual, já que muitos dos seres humanos ainda estão envolvidos pelas “confortáveis” ilusões terrenas que atendem aos seus propósitos materialistas? Tem a ver com o momento evolutivo, pois esta jornada exige preparação e esse preparo é adquirido nas experiências, acontecimentos, situações, aprendizados e testes em que se resume cada existência neste planeta-escola.
Assim é o processo de estruturação e base para que se firmem os pés no caminho da espiritualidade e o primeiro passo seja dado no sentido do amadurecimento espiritual. É preciso que o indivíduo esteja habilitado espiritualmente para, dessa forma, retirar-se do cenário materializado no qual está inserido por falta de raciocinar corretamente no manejo do livre-arbítrio e por não seguir em direção à iluminação espiritual. Seja pela dor, seja pelo amor, o espírito terá que despertar para a espiritualidade mais cedo ou mais tarde. Se o ser humano, quando colocado frente às duras provas do viver terreno delas sair vencedor, usando as ferramentas espirituais que são seus atributos e faculdades, estará apto a galgar mais elevado nível evolutivo, dispondo de sua consciência voltada para as luzes espirituais.
Muitas vezes é preciso que o ser humano se veja à beira de um abismo, que deslize ladeira abaixo, que pise em lodaçal, que siga por curvas sinuosas de perigo iminente para que, enfim, procure o porto seguro que representa o estudo da vida espiritual. Tudo isso é necessário para os espíritos ainda renitentes que passaram por um grande número de existências persistindo nos mesmos erros e carregando as mesmas imperfeições. Assim como na escola da vida material existem alunos desatentos e indiferentes com as lições e o aprendizado resultante dos estudos, assim também são os seres humanos que por desinteresse sobre a verdadeira vida, que é a do espírito, perdem a preciosa oportunidade de conhecer a si mesmo, suas fraquezas e falhas morais para assim darem início a uma reforma íntima configurando reestruturação de sua personalidade espiritual. A visão obscura resultante da excessiva materialidade debilita e entorpece o raciocínio dificultando melhor e maior compreensão acerca da imortalidade da alma, firmando-se numa ótica negacionista da realidade das múltiplas existências. Enquanto não puder o indivíduo vislumbrar a concepção de uma jornada mais espiritualizada, a vida na Terra para ele correrá permeada de obstáculos, erros, desregramentos e toda sorte de desventuras resultantes do mau direcionamento do livre-arbítrio e da maneira equivocada de se conduzir.
Assim sendo, a ideia de iniciar novo itinerário e rota de sentido espiritualista, fica adiada para um momento mais propício, reforçando o conceito de que a evolução não dá saltos e que tudo acontece no momento certo.
Uma vez que a pessoa esteja segura em sua decisão de percorrer o caminho da espiritualidade e voltar o olhar para as questões sérias da vida, ele dificilmente se afastará desse percurso luminoso. A humanidade caminha a passos lentos rumo à evolução espiritual porque ainda há muito que fazer para que sejam abandonadas as crenças e dogmas seculares que toldam a visão espiritual, dificultando o aflorar dos atributos e faculdades. Tudo chega no momento oportuno e é importante que saibamos cultivar a convicção de que as transformações para o bem acontecem ininterruptamente.
Essa ideia deve ser acolhida por nós não como uma utopia ou uma visão ilusória impossível e muito além da real possibilidade, mas sim racionalmente, pois essas transformações, apesar de imperceptíveis, se fazem presentes e têm seu lugar na evolução como um todo do progresso espiritual propriamente dito de restauração dos valores espirituais em obediência às leis evolutivas que tudo regem.

