Arrogância e orgulho

Na época atual, em que vemos, tanto no campo das relações sociais e familiares quanto na esfera das relações internacionais, a ampliação da deflagração de controvérsias e conflitos, além da banalização da violência e da opressão no seio das mais diversas comunidades, houvemos por bem analisar, à luz da espiritualidade proporcionada pelo Racionalismo Cristão, alguns sentimentos que estão por trás dessa dramática realidade, como o orgulho e a arrogância.

A presente reflexão tem um duplo objetivo: promover uma compreensão ampliada acerca das consequências negativas de vivenciar tais sentimentos e apontar as formas de superá-los. Dessa forma, queremos despertar as pessoas para a necessidade de adquirir uma nova consciência no que diz respeito às relações humanas, capaz de repudiar toda espécie de preconceito, humilhação e separatividade.

A pessoa arrogante e orgulhosa tem imensa dificuldade de se relacionar bem mesmo com as pessoas que lhe são mais próximas. Na maioria das vezes, isso ocorre porque ela não reconhece as próprias falhas, não aceita soluções alheias a suas ideias e se mostra incapaz de dar um passo atrás quando se encontra em uma situação tensa e conflituosa, que certamente poderia ser contornada por meio da empatia, do respeito mútuo e sobretudo do diálogo.

Muitas pessoas observam com grande preocupação os crescentes conflitos que têm lugar em diversas regiões do mundo. De fato, alguns países do Ocidente e no Oriente tidos como desenvolvidos e cultos não conseguem resolver seus litígios sem o recurso à violência – demonstração inequívoca de desprezo ao compromisso moral e espiritual de objetivação do bem comum tão ansiado pelos povos e nações.

Certo é que não cessarão as violações de direitos básicos enquanto os sentimentos de arrogância e orgulho não forem extirpados da mente daqueles que ocupam posições estratégicas no cenário geopolítico. A difusão de uma cultura de paz e entendimento só é possível por meio da tolerância, do respeito e de outros valores fundamentados em princípios éticos, morais e espirituais, como enfatiza o Racionalismo Cristão.

O estudo e a prática da espiritualidade, estruturados em princípios de altíssimo valor, revelam as potencialidades de todos, as quais permitem superar a tendência ao orgulho e à arrogância, sobretudo quando as pessoas se empenham em cultivar as virtudes da humildade e do benquerer, capazes de vencer o preconceito, a raiva e o malfazejo ímpeto de sobrepujar aqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade.

A humildade e o benquerer devem ser vividos cotidianamente – muitas vezes, de forma silenciosa. É a primeira que nos ajuda a avançar, de forma sólida e consistente, em nossa rota de autoaprimoramento; é o segundo que nos permite reconhecer no próximo qualidades que talvez ele mesmo desconheça.

Em suma, é a partir do esclarecimento espiritual, do cultivo das virtudes e do desenvolvimento positivo dos atributos espirituais que os sentimentos negativos e inadequados são dissolvidos e ressignificados. Não haja dúvida: sem lucidez e abertura para os valores da transcendência, é muito difícil – para não dizer impossível – superar a arrogância e o orgulhoso.

A presente reflexão deixou claro que a ambição particularizada e o egoísmo, fontes dos desentendimentos, guardam estreita relação com a arrogância e o orgulho, que, por seu turno, empanam a percepção espiritual e obscurecem o raciocínio, conduzindo muitas pessoas e grupos ao desprezo dos magnos valores do espírito.

O conteúdo aqui exposto não se limitou, contudo, a demonstrar o equívoco de aninhar na alma esses deletérios e destrutivos sentimentos. Fomos além e procuramos apontar o caminho seguro para a superação do orgulho e da arrogância, caminho pavimentado pelos sólidos princípios da espiritualidade defendidos pelo Racionalismo Cristão. Sigamo-lo e certamente saberemos ser receptivos, prestativos, empáticos e, sobretudo, humildes.