Se você mudar, provavelmente as relações em casa também mudarão

Sou jurista, tenho 43 anos de idade, e dois filhos pequenos; tenho a minha casa, mas prefiro estar com os meus pais, com eles uma questão me preocupa: gosto muito da minha mãe, mas sinto que entre nós há uma certa rivalidade, uma intranquilidade, cujo motivo eu não entendo. Já pensei se não tem foro espiritual.

No dia a dia ela está sempre a culpar-me pelas coisas e eu faço o mesmo, às vezes da forma que fala comigo parece que não tem amor por mim, percebo que ela se preocupa com as minhas irmãs mais novas, com o dia a dia delas, o cansaço delas devido ao trabalho desenvolvido, e ela nem me pergunta como está a decorrer o meu trabalho, não me incentiva para nada, parece haver um desinteresse total quanto a isso. Minhas irmãs contam aos meus pais as questões que as afligem, e eles as encorajam, mas eu não, porque sinto haver desinteresse da parte deles principalmente da minha mãe, não falo nada sobre mim, e quando digo alguma coisa vem logo uma crítica. Então, vou vivendo, trabalhando e cuidando dos meus filhos. Gostaria que fosse diferente.

Resposta: Prezada, lemos com atenção o seu relato e pareceu-nos que a falta de interesse em você pode ter origem em falta de diálogo entre você e seus pais. Observe o que notamos em seu relato. Como você mesma comenta, suas irmãs contam a seus pais as questões que as afligem, o que resulta deles respostas positivas.

O que você relata de sua vida? Suas inquietações e problemas da sua vida particular, referentes a seu relacionamento com seus filhos, por exemplo? Ou fala de seus problemas profissionais?

Talvez valesse a pena você analisar seu relacionamento com seus pais a partir de suas ações. Se você parte do princípio de que não vale a pena pensar nisso e, sim, continuar aceitando que não é amada por seus pais, acaba por estabelecer essa barreira que a incomoda.

Como aprendemos no Racionalismo Cristão, muitos desentendimentos familiares podem ser resolvidos com uma conversa franca e honesta entre seus membros. Lembre-se de que a conversa inclui o desejo de ouvir com atenção o que seus pais têm a dizer, sem interrompê-los, sem buscar defender-se de nada. Pode dizer que vai pensar com carinho em tudo o que eles disserem.

Que tal pensar dessa forma, dando tempo para que a situação mude a partir de novas ações de sua parte? Não seria melhor do que desistir e achar que seus pais não vão mudar? Como você diz, gostaria que fosse diferente, mas lembre-se: toda conversa deve ser preparada com a limpeza psíquica de forma que você tenha um ambiente propício para que haja entendimento entre vocês.