Como podemos mudar o mundo?

Algo só é impossível até que alguém duvida e acaba provando o contrário.

Albert Einstein

Recentemente, foi feita uma pesquisa por um usuário do Facebook abrangendo um grupo muito grande de pessoas para responder à pergunta: “Você quer mudar o mundo? O resultado da pesquisa foi 95% de SIM e 5% de NÃO. Ou seja, 95% das pessoas não estão satisfeitas com a vida que levam e têm vontade de mudar o mundo. Mas mudar o que e para quê? Infelizmente, estavam respondendo com um olhar materialista do mundo, em vez de buscarem o conhecimento de si mesmos e a prática dos valores morais do homem racional.

Erich Fromm (1900–1980) foi um notável psicanalista, filósofo e sociólogo alemão que escreveu e publicou mais de uma dezena de livros, entre os quais destacamos o intitulado Ter ou Ser (1976), título este que usamos para este nosso tema. Nesse livro, ele previu que estava em curso uma mudança fundamental no nosso modo de existir e viver, embora as alterações dos valores culturais estejam acontecendo muito lentamente e com certo atraso e, nem de longe, caminham pari e passu com a evolução tecnológica de nosso tempo. Este descompasso caracteriza muito bem as diferenças entre o modo “ter” e o modo “ser” de viver.

Doença do modo ter. Nossa sociedade industrial está doente, muito doente mesmo, por ter levado a humanidade ao modo “ter” de viver, em que predominam o egoísmo, na forma de “status” socioeconômico e a destruição continuada do meio ambiente, em dissonância completa com os valores éticos do homem. Por isso mesmo, temos que nos adaptar às mudanças que nós mesmos provocamos, ou seja, somos os causadores de tudo de ruim que vem acontecendo em nosso planeta.

Vivemos em uma sociedade complexa e diferenciada, com predominância de desigualdades nunca vistas. Estas são frutos de um conhecimento muito mais voltado para o “modo ter” do que para o “modo ser” de viver, causando desorganização, corrupção e muita maldade em qualquer que seja a sociedade em que vivamos. As aparências procuram esconder a sordidez humana e a hipocrisia impera por toda parte, subordinadas a uma causa primeira que é o materialismo reinante.

Necessidade de mudanças. De fato, estamos vivendo num mundo caótico, nefasto, obscuro e sórdido, com raríssimas exceções aqui e acolá. Nossos horizontes estão toldados por nuvens escuras e espessas causadas por muitos governantes, verdadeiros títeres, agindo como opressores dos povos que governam, exaltando suas arrogâncias, cobiças e vaidades. Faltam neles o respeito pelo próximo, seus conterrâneos e habitantes de outras nações. Mas as dificuldades encontradas podem ser enfrentadas mediante mudanças. É dessas mudanças na forma de olhar a si mesmos e olhar o mundo que trataremos neste nosso tema.  Para isso, precisamos encarar os males de nossa sociedade com firmeza de espírito, vencendo o conformismo, que enfraquece a vontade e destrói a esperança de viver corretamente seguindo os ditames da moral cristã. Temos que persistir na boa luta contra as injustiças sociais cujos efeitos estão à vista de toda a gente. Para isso, jamais devemos resignar e desistir.

Diante de tudo isso, há uma inquietação íntima em cada um de nós e uma energia de transformação dentro de cada coletividade, transbordante de desejos e vontades de mudanças mais duradouras e permanentes que venham deslocar o ponteiro da balança do “modo ter” para o “modo ser” de viver. Ou seja, a humanidade está começando a despertar para a espiritualidade. Ela está carente de espiritualidade e já desconfia que espiritualidade não é a mesma coisa que religiosidade; e muitos já sabem disso e aplicam seus conhecimentos espirituais para terem uma vida sabidamente melhor, mais solidária e psiquicamente equilibrada em relação a muitos bens materiais.

Sabemos que nenhuma pessoa nasce para ser um derrotado; nasce, sim, para evoluir e tornar o nosso mundo muito melhor e mais solidário. Como? Incitando o povo a tomar o poder pelo voto mal pensado ou até mesmo pelas armas? Não, mas através do bom senso e da espiritualidade, usando o seu voto como instrumento de mudança consciente nos costumes e na moral de nossa gente. Essa oportunidade nos é oferecida de quatro em quatro anos para promover mudanças a nível federal. Para isso, precisamos investir na educação moral e cívica das crianças e jovens, sem discriminação de status social. Ensinar-lhes o respeito ao semelhante e às leis evolutivas e dos homens. Só assim, muitas injustiças desaparecerão e a corrupção tornar-se-á uma triste lembrança ao longo dos anos vindouros. Estaremos, assim, pondo fim a muitas injustiças que ocorrem nas circunstâncias atuais. É preciso fazer um “trabalho de formiguinha”, pois juntos, com união de propósitos, iremos alcançar os resultados por muito tempo almejados.

Prejuízo das distorções. A mudança é uma real e grande verdade por toda parte no Universo e assim também em nosso mundo-escola. Tudo está em constante movimento e transformação. Mas em nosso mundo, devido às distorções que existem entre o “modo ter” e o modo ser de viver, aceleram-se as mudanças materialistas e retardam-se as mudanças espiritualistas, tão necessárias para deslanchar a evolução no nosso mundo-escola. Quando isso finalmente acontecer, via transformação interior das pessoas, homens e mulheres, tornar-nos-emos mais felizes, mais saudáveis e mais solidários com nossos semelhantes.

É errado pensar-se que somente a genética proporcionará as mudanças sociais necessárias nas pessoas, segundo o pensamento de muitos biólogos e cientistas. As leis naturais e imutáveis têm uma abrangência bem mais ampla por serem universais. Antes disso, é preciso que cada um se conheça como Força e Matéria – espírito e corpo. Força e Matéria, nas suas mais variadas formas de ser e atuar, são os únicos constituintes de tudo e de todos que existem na Terra e no Universo, isto é, a Força atua tanto nas micro como nas macroestruturas. Está chegando a hora de buscarmos novos conhecimentos na espiritualidade da vida fora da matéria como os difundidos pelos princípios do Racionalismo Cristão, filosofia que atualizou os ensinamentos de Jesus Cristo quando de sua passagem por este nosso planeta para as condições de nosso tempo.

A caminho do melhor. De um modo geral, a estrutura social das culturas de todas as nações do mundo abrange, de um lado, as pessoas pessimistas e, de outro, as otimistas. Como somos otimistas por natureza, não é descabido termos esperança (do verbo esperançar) de que estamos caminhando para uma sociedade mais saudável, mais justa e mais feliz com o aperfeiçoamento das leis humanas, permitindo às futuras gerações progresso, prosperidade e evolução impensáveis na atualidade. Nos relacionamentos interpessoais estarão predominando os sentimentos de respeito, simpatia, empatia, solidariedade, compaixão e compreensão dos modos de sentir de cada pessoa, uma vez que todos somos iguais em essência, mas muito diferentes nas nossas vivências, em função do grau de espiritualidade de cada um de nós. Em consequência, saberemos lidar melhor com as diferenças por sabermos que elas são uma consequência das leis evolutivas, que, inexoravelmente, a elas todos estamos sujeitos.