Acertos e erros

Mário Marinho, militante espiritualista da Sede Mundial e da Filial Taubaté (SP).

Por mais que o espírito, ao possuir um corpo humano, cometa erros ao longo de uma existência terrena, ele terá sempre uma nova oportunidade de redimir-se. Em cada retorno ao seu campo de estágio, conscientiza-se plenamente de todas as imperfeições — e até atrocidades — que possa ter cometido.

Alguns, embora tenham desenvolvido de forma satisfatória, em múltiplas existências, o atributo espiritual da inteligência, acabam, pela imposição do esquecimento necessário — que impede que as lembranças dos erros passados interfiram no livre-arbítrio em uma nova existência —, repetindo-os. Assim, utilizam esse atributo não para o bem, mas para alimentar a vaidade, a prepotência, a arrogância e a ganância.

Desconhecem que, ao se desligarem de seus corpos físicos e retornarem aos campos espirituais de estágio, ansiarão por um novo corpo humano para redimir-se dos erros cometidos na última existência. Propõem-se, então, a regressar ao planeta de escolaridade em condições, por vezes, extremamente precárias — não como castigo, mas como meio de superar suas imperfeições e desvios, exercitando agora a humildade.

Por que, então, revoltar-se, se ontem pudemos cometer os mesmos erros que hoje abominamos?

Quem adquire esse conhecimento passa a irradiar diariamente, no lar e nas casas racionalistas cristãs, para que a luz se faça em seu espírito — e também nos que ainda agem de forma predatória. Daí o uso do pronome “nosso” nas irradiações diárias, emitidas em favor de todos os nossos semelhantes e, principalmente, daqueles que se encontram sem a posse de um corpo físico.

Durante essas irradiações, são atraídos ao planeta de escolaridade espíritos que já ultrapassaram todas as etapas da evolução terrena e que coordenam as atividades de translado dos espíritos sem corpo físico — que aqui permanecem, ainda presos às materialidades terrenas — aos seus respectivos campos de estágio.

Nesse trabalho, colaboram também os espíritos dos mundos opacos, que se subordinaram voluntariamente aos espíritos do Astral Superior nessa limpeza fluídica. Esses espíritos decidiram realizar sua evolução sem a posse de um corpo físico, mas ainda ligados ao planeta de escolaridade.

Dessa forma, a densa camada da atmosfera fluídica da Terra fica livre da interferência desses espíritos desprovidos de corpo físico, que se associam aos campos vibracionais de pensamentos de outros espíritos ainda na posse de um corpo físico e suscetíveis às suas influências.

Sabemos que estamos constantemente observando comportamentos alheios. Quando maus, procuramos esquecê-los, deixando que se dissolvam por si mesmos; quando bons, devem servir-nos de exemplo. Por isso, a maior observação que podemos fazer é sobre o nosso próprio comportamento.

Assim, intimamente, realizamos julgamentos, fazemos avaliações e exercemos escolhas que podem divergir das de nossos semelhantes, sem que isso, no entanto, interfira na amizade — que, acima de tudo, é primordial.

Estamos em um planeta de escolaridade, onde o aluno acerta e erra, mas cuja finalidade maior é sempre acertar, para alcançar patamares mais elevados de evolução.

Assim, navegando em torno do nosso Sol, segue este querido planeta de escolaridade — e, com ele, todas as nossas vibrações de bem-querer à humanidade.