Constante tensão

É ponto definitivamente consolidado que, via de regra, a pessoa que cultiva o péssimo hábito da mentira vive em estado de constante tensão, pois teme que a qualquer momento seus maus pensamentos e sua conduta irresponsável, causadora de tantos prejuízos e danos, sejam expostos à vista de todos.

A deficiência moral que fomenta a mentira – fundamento de inúmeros males e ruínas – é objeto de séria preocupação e reflexão no campo dos estudos filosófico-espiritualistas proporcionados pelo Racionalismo Cristão. Por esse motivo, dedicamos a presente reflexão à análise de tal assunto.

Na raiz do hábito de mentir reside a deficiência moral que, sem dúvida, é consequência direta do desconhecimento ou do desrespeito consciente e deliberado dos princípios da espiritualidade, tão estimados quanto aludidos em nosso meio. Esses princípios esclarecem os seres humanos acerca de sua essência, transmitindo-lhes a certeza da própria dignidade e, ao mesmo tempo, fortalecendo-os para, em todas as ocasiões, valer-se da verdade, que enobrece e eleva a personalidade, além de robustecer o caráter e promover a consciência do dever cumprido – esta que, por seu turno, é fonte de felicidade e bem-estar.

A tendência da sociedade moderna de supervalorizar a aparência, o consumo, o status e a posse dos bens materiais acaba por incentivar condutas reprováveis, desviando a atenção das pessoas, mais do que em qualquer outro período histórico, da necessidade de cultivar virtudes como a integridade, a fidelidade, o companheirismo e a honra, fazendo com que a coletividade, de modo geral, desconsidere a excelência e a primazia da verdade como mola propulsora do aprimoramento espiritual e da convivência pacífica e frutuosa entre os seres humanos.

Uma premissa fundamental do aprimoramento espiritual é a opção pela verdade. Não se trata de uma predileção, mas de uma resolução consciente, madura e sobretudo inflexível. Sim, há que ser inflexível.

A verdade não é uma ideologia ou uma categoria filosófica geral e abstrata. Não pode, portanto, ser relativizada, como pretendem as múltiplas vozes do materialismo contemporâneo a partir de teorias e artifícios sofisticados e envolventes que, impactando os sentidos, desviam a atenção das pessoas desavisadas ou alheias aos valores espirituais, fazendo-as supor que a verdade está na aparência, quando sabemos que ela se encontra na essência.

É possível que determinada pessoa cogite em responder a uma questão ou reagir a uma circunstância valendo-se da verdade sem, todavia, sentir-se capaz de reunir dentro de si mesma as forças necessárias para agir como intenciona. Daí surge a importância do fortalecimento espiritual proporcionado pelo Racionalismo Cristão e do combate ao materialismo, instrumentos, por assim dizer, que possibilitam, entre inúmeros outros atos de valor, que o ser humano seja sempre verdadeiro, autêntico, responsável, criterioso e, acima de tudo, consciente das próprias capacidades.

Será possível que uma pessoa imprima dignidade e respeitabilidade à própria existência e persevere nesse objetivo sem a firme e madura resolução de ser verdadeira em todas as ocasiões? Cremos que não, visto que a verdade é indissociável das mais elevadas virtudes que conhecemos.

Não haja dúvida: diante dos dilemas e das situações complexas deve o ser humano voltar-se para si, ser forte, autêntico e verdadeiro consigo mesmo, nunca perdendo a razão, mas encarando os fatos com a serenidade profunda e a paz interior que brotam da vivência da espiritualidade.

Nesta conclusão, afirmamos eloquentemente: não se elejam desculpas ou teorias para fundamentar a falta de sinceridade, pois a mentira é de todo injustificável; deforma o caráter e impede o ser humano de aprimorar-se espiritualmente, uma vez que vai de encontro a sua própria natureza transcendente, violentando-a e desrespeitando-a.

O Racionalismo Cristão está sempre empenhado na promoção da dignidade dos seres humanos e no aprimoramento espiritual da humanidade, oferecendo às pessoas os subsídios necessários para que elas saibam a um só tempo eliminar da própria mente os impulsos imorais que as fazem mentir, proteger-se dos efeitos malfazejos relacionados a esse pernicioso flagelo e, com o espírito renovado e fortalecido, expor suas ideias e pontos de vista sempre de maneira autêntica e verdadeira.

Muito Obrigado!