Praticar e difundir

A presente reflexão propõe-se, à luz das concepções de nossa Filosofia, a realçar o caráter satisfatório, útil e conveniente do estudo e da absorção dos temas, matérias e conteúdos relacionados à espiritualidade defendida pelo Racionalismo Cristão, para que os seres humanos possam, de forma honesta, coerente, significativa e eficaz, praticar e difundir os magnos e libertadores preceitos da transcendência, que produzem, entre outros incontáveis e sublimes benefícios, saúde integral e harmonia interior. 

A mais evidente consequência de uma visão de mundo distanciada da espiritualidade consiste em limitar a realidade existencial e os elementos que a compõem ao que pode ser percebido, identificado, reconhecido e interpretado apenas pela audição, visão, olfato, tato e paladar. Trata-se de um reducionismo que contrasta com a imensidão de possibilidades que o mundo oferece, sendo, portanto, nocivo à formação da personalidade dos seres humanos e inadequado à boa marcha da vida. 

Sem dúvida, os sentidos físicos aqui mencionados são significativamente valiosos na construção do conhecimento humano e no campo do autoconhecimento. Todavia, a realidade da vida supera, em grande proporção, as percepções relacionadas ao mundo físico. Na verdade, ela é transcendente e absolutamente incomensurável, requerendo das pessoas que pretendem compreendê-la uma transposição de mentalidade que conduza à ampliação da própria consciência. 

De acordo com as conclusões que obtemos com nossos estudos dos ensinamentos do Racionalismo Cristão, sabemos que após um construtivo e, por vezes, lento processo de abertura à espiritualidade, o qual conduz a esplêndidos resultados, quer no campo do equilíbrio psíquico, quer na esfera das relações interpessoais, a pessoa passa de um estado de total desconhecimento ou negligência para um estado de atenção, respeito e interesse aos aspectos transcendentes que interpenetram e sustentam o mundo físico. 

Tal processo é incentivado e proporcionado pelo estudo sério, disciplinado e inclusivo da espiritualidade, que faz brotar no âmago do ser humano uma decidida aspiração em ser correto, ético, empático, solidário e produtivo — estudo que desenvolvemos, divulgamos e ampliamos com rigor metodológico e de forma constante. Com certeza, nosso empenho reflete, em termos sintéticos, uma vontade robusta e consolidada de libertar as pessoas das amarras do materialismo e de fortalecê-las física, moral e espiritualmente, a fim de que se realizem e encontrem a felicidade a que fazem jus. 

Percebe-se, de acordo com o que foi mencionado na introdução, que não pode haver nada mais satisfatório e conveniente para viver, praticar e difundir os magnos preceitos da transcendência do que o estudo e a absorção dos temas, matérias e conteúdos relacionados à espiritualidade. Claro está — e temos reiterado ao longo dos anos — que o estudo a que fazemos referência é de caráter prático e não contemplativo, tampouco retórico-literário. 

Trabalhamos efetivamente para que as pessoas sejam capazes de desenvolver uma consciência lúcida, apta a mesclar a razão e a espiritualidade e, sobretudo, a descortinar e vislumbrar, de forma ampliada e abrangente, a realidade que as envolve, que de maneira alguma é uma realidade superficial, arbitrária, inepta e alienante como a concebida, engendrada e apresentada pelo materialismo entorpecedor e obscurantista, infelizmente tão disseminada no mundo contemporâneo. 

Estamos perfeitamente conscientes do valor do estudo da espiritualidade proposta pelo Racionalismo Cristão e dos magnos e libertadores princípios a ela relacionados. Da mesma forma, temos plena convicção de que toda essa expressiva riqueza de conteúdo que produz transformações pessoais tão importantes quanto estimáveis requer do ser humano uma ruptura com todo e qualquer costume ou prática que lhe subtraia dignidade. Tal ruptura diz respeito não apenas aos costumes, mas também — e acima de tudo — ao modo de pensar. 

Para o ser humano experimentar e vivenciar os maravilhosos benefícios oriundos de uma percepção integradora da vida, há que estudar a espiritualidade com afinco e constância e, ao mesmo tempo, abdicar e renunciar aos apelos sedutores da matéria, aos hábitos prejudiciais e aos impulsos irrefletidos. Somente assim conseguirá ele caminhar com dignidade e autonomia ao longo de seu itinerário, fortalecido por seus pensamentos e pela vontade inflexível e vibrante de evoluir e de crescer espiritualmente. 

Muito Obrigado!