Tenho 45 anos, sou casado e tenho uma filha. Praticamente nasci dentro da filosofia racionalista cristã, porque meu pai sempre foi militante espiritualista. Sei que o RC esclarece, orienta e educa, mas não nos protege dos sofrimentos decorrentes desse planeta-escola. Certos abalos nos chacoalham a ponto de nos sentirmos totalmente perdidos. Vou tentar ser sucinto no que ocorreu.
Trabalhei durante 15 anos em uma empresa, atingindo boa reputação e cargos respeitados. Entretanto, nos últimos quatro anos, quando mudei de área, comecei a perceber problemas éticos de assédios com colaboradores mais novos e principalmente comigo. No início pensei em deixar quieto, mas foi ficando insustentável.
Comecei a levar esses assuntos ao gerente executivo que, no início, até me ouvia, mas depois começou a ficar incomodado com a situação. Parecia que ele preferia ser omisso e deixar as coisas como estavam. A situação foi tão degradante, que até carne podre colocaram dentro do meu armário para me atingirem. Alguns diziam, deixa quieto, você ganha um ótimo salário, mas isso batia de frente com meu senso de justiça.
Então, resolvi entrar no Comitê de Ética e Compliance da empresa denunciando tudo que estava ocorrendo. A princípio, a empresa incentivava que os colaboradores denunciassem fatos anti-éticos.
Resultado, me demitiram depois de 15 anos de trabalho honroso, sem nenhuma advertência. Criei uma identidade com a empresa que de repente foi cortada. Já faz seis meses do ocorrido, estou buscando recolocação, mas minha especialização é muito específica.
A dor da injustiça, ingratidão e traição de pessoas que sabiam do que ocorria na empresa é forte. Achei que em apenas dois meses isso ia passar e logo eu esqueceria, mas não, tenho piorado, os minutos parecem horas, a ansiedade parece tomar conta do corpo, enjoos frequentes, insônia, sonho com o que aconteceu quase todas as noites e acordo com uma agonia horrível.
Tenho frequentado o RC com assiduidade, tomado bastante água fluidificada, mas sinto o meu corpo como se estivesse em constante choque.
O que tenho feito é cuidar da minha filha pela manhã, fazer tarefas domésticas. À tarde, atualizo currículos, escrevo artigos técnicos e tento dormir um pouco, mas os sonhos são angustiantes e acordo pior. Abandonei meus hobbies, música, violão e pescaria. O trauma foi tão grande que penso até em desistir da minha carreira e ir para outra área. A única coisa que alenta é que estou mais perto da minha filha, cuidando, ajudando nas tarefas de casa, brincando etc. Mas o abatimento é forte, passei da raiva à prostração.
Escrevi, escrevi, escrevi e nem sei o que perguntar.
Resposta: Prezado, todo bom racionalista cristão precisa saber separar os episódios cotidianos de cunho material das ações necessárias ao esclarecimento espiritual.
Ninguém está imune a traições, ingratidões, injustiças, inveja e demais sentimentos inferiores que pessoas mal assistidas externam habitualmente, mas que, na verdade, as prejudicam grandemente, em obediência à lei evolutiva de causa e efeito.
Porém, quando o racionalista cristão é vítima dessas maldades, deve reagir com energia, aplicando todos os seus conhecimentos espiritualistas para superar-se e utilizar os reveses em prol do aprimoramento de atributos e de faculdades espirituais.
Luiz de Mattos já dizia que “o mundo é dos fortes. Mas não pensem que nos referimos aos fortes do físico. A verdadeira fortaleza é a da alma. Não alimentem ilusões: o mundo é dos que possuem fortaleza de ânimo e valor espiritual.”
Portanto, o momento é de dar maior atenção à família, aos seus hobbies, à procura racional de uma atividade profissional e, principalmente, ao aprofundamento do esclarecimento espiritual pelo rigoroso cumprimento da disciplina racionalista cristã.
Continue firme em sua jornada terrena, com pensamentos positivos e otimistas, e nunca deixe que essa mácula prejudique seus sentimentos de valor, coragem, persistência, confiança e convicção num futuro promissor.

