Regressão: do bolapé ao pebolim

Não tem mais Pelé, Jairzinho e Nilton Santos, não tem mais Vavá, Ronaldinho Gaúcho e Zizinho, não tem mais Romário, Leônidas da Silva e Ademir. Não tem mais nada. Os verdadeiros craques passaram, alguns estão aí de óculos e muletas; outros já se despediram, cumprindo seu tempo conforme a lei da existência. Alguns outros velhotes vêm sendo prestigiados, naturalmente pelo que fizeram em passado recente em clubes da Europa, que os mantêm em campo porque a presença deles representa renda. E futebol, hoje, com transferência de atletas a peso de ouro, é dindim na sacolinha. Vitória ou derrota

tanto faz, ser campeão ou vice, já não importa tanto para os cartolas, embora importe para a galera na ferrenha defesa de camisas de algumas cores, principalmente a amarela, do uniforme principal da seleção brasileira.

Enquanto o futsal avança, conquistando títulos e interesse da torcida, o futebol de campo regride ao futebol de mesa. Vergonha? Não para alguns que a perderam há tempos, mas sim para o torcedor de TV ou os abastados que viajaram e se acomodaram à base de dólares americanos. Fala-se que para alcançar bons resultados em qualquer empreendimento, jogo ou conquista amorosa é preciso entrar com o pé direito. A equipe que não venceu logo: ou entrou com o esquerdo ou com os dois, um atrapalhando o outro, e esteve fadada ao caos.

Vamos para 2030. Não importa a Copa América. Haverá gente nova, com vontade e empenho, com chuteiras brilhantes, não aquela velharia cansada, que vive do passado, não aqueles que se julgavam os donos da cocada. A quase totalidade dos que foram muito bons não é mais.

Parece que, na linguagem do Zagallo, vamos ter que engolir o italiano (cantou em seu espaço o Hino Nacional Brasileiro com pompa e circunstância), que renovou contrato com a CBF. Não dá para entender a insistência: um ano de espera para o acerto, contrato firmado a valores estratosféricos, fracasso na missão, e novo voto de confiança. Cacetada! Tantos excelentes técnicos brasileiros poderiam estar à frente da seleção, mas quem manda decide. E a massa entregue ao babaovismo acompanha. Ninguém protesta, ninguém levanta a voz.

Ao menos para a maioria dos brasileiros o mundo voltou a girar mais cedo em 5 de julho, já que Haaland (remember Ghiggia e Caniggia e outros algozes) o sacudiu; esteve parado para prestigiar e aplaudir a equipe nacional de futebol da Noruega, pouco depois despachada. (JBA)