Muitas pessoas afirmam que as crianças de hoje são muito diferentes das crianças de outrora, que os bebês da atualidade nascem, por assim dizer, mais espertos que no passado.
Embora nunca nos tenhamos detido na análise de tais afirmações com o intuito de estabelecer uma resposta, não podemos, de modo algum, desconsiderar que a humanidade evolui e se transforma no transcurso do tempo.
Apesar das mudanças sociais registradas sobretudo nos últimos séculos e as alterações legais e fáticas que ampliaram sobremaneira o conceito de entidade familiar, demonstraremos na presente reflexão, desenvolvida à luz da espiritualidade proporcionada pelo Racionalismo Cristão, que a correta educação dos filhos, tão importante para a edificação de uma sociedade saudável e equilibrada, continua a depender da presença constante dos pais e responsáveis, que têm o dever de orientar e ensinar as regras básicas do convívio social, bem como a importância do cultivo das virtudes e da prática do bem.
Sabemos que as mudanças sociais mencionadas na introdução, mormente no campo das relações de trabalho, alteraram completamente o ritmo das famílias. As mães já não podem, na maioria dos casos, se dedicar exclusivamente aos filhos e à organização do lar como na época de nossos avós: elas têm de trabalhar fora de casa, a fim de fazer frente ao orçamento doméstico. Muitas até mesmo arcam sozinhas com a totalidade das despesas – são verdadeiras guerreiras. Os pais, por seu turno, se veem cada vez mais envolvidos em compromissos e tarefas profissionais, que os privam de um convívio mais demorado com a prole.
Não discutimos que os desafios são grandes. Todavia, sabemos que os seres humanos têm uma essência espiritual e são portadores de incontáveis talentos e faculdades. Valendo-se de tais potencialidades e do bom uso de seu livre-arbítrio, eles se põem em condições de, com criatividade, inteligência, racionalidade e amor, entre outros atributos, driblar as dificuldades impostas pela vida moderna e estar, na medida do possível, presentes, abertos ao diálogo e atentos a tudo que se refere à formação moral, intelectual e espiritual de seus filhos – seres humanos em formação, espíritos ávidos de conhecimento, que devem ser inseridos de forma plena na sociedade.
Já tivemos a oportunidade de dizer e reiteramos: a história da humanidade é pródiga em exemplos de mães e pais que, reprimindo seus impulsos inadequados, anulando suas tendências egoísticas, cerceando voluntariamente seus lazeres e diversões, pondo-se, por fim, sempre física e emocionalmente disponíveis, pavimentaram a estrada reta da felicidade por onde seus filhos, conscientes do valor da disciplina, versados sobre a importância do autocontrole e orientados pelos ideais da honestidade e da humildade, puderam transitar com segurança, multiplicando os exemplos recebidos e semeando a esperança de um mundo mais ordenado e espiritualizado.
Apoiados na tradição de nossa filosofia de vida, o Racionalismo Cristão, no exemplo de nossos mestres – que, mesmo envolvidos em grandes empreendimentos e responsabilidades, disciplinaram-se e encontraram tempo suficiente para conviver com seus filhos e transmitir-lhes os melhores exemplos –, bem como em nossa própria experiência pessoal, sem pretender ferir suscetibilidades, mas exteriorizando nosso compromisso com a verdade e com o esclarecimento espiritual das pessoas, afirmamos convictamente: não adiantam subterfúgios retóricos e explicações estudadamente elaboradas para justificar a ausência dos pais no processo de educação dos filhos. A presença deles é imprescindível. A escola, embora tenha um papel fundamental, não os substitui, tampouco os avós, que já cumpriram com seus deveres e obrigações no que tange à formação familiar.
Ficou patenteado na presente reflexão que vivemos sob o influxo de uma nova atmosfera cultural, em uma época de profundas transformações e mudanças estruturais.
Amigos, os tempos sem dúvida são outros, assim como os desafios, mas a preocupação com o bem-estar intelectual, moral, emocional e espiritual dos filhos e das famílias permanece e permanecerá ocupando lugar de relevo no campo de nossos estudos filosófico-espiritualistas, através dos ensinamentos do Racionalismo Cristão.
Estejamos certos de que as crianças e jovens da contemporaneidade são muito perspicazes, sensíveis e inteligentes. Nessa perspectiva, uma vez que se esclareçam sobre sua espiritualidade, que tenham o direcionamento e o acompanhamento corretos, que sejam tratados com afeto e ouvidos pelos pais e responsáveis com sinceridade e atenção, formarão um caráter robusto e uma personalidade capaz de enfrentar com dignidade os desafios atuais.
Aos pais que nos acompanham, queremos garantir nosso apoio irrestrito e nossa irradiação sempre amiga e desejosa de que seus filhos sejam para vocês uma fonte perene de alegria, satisfação e felicidade.
Muito Obrigado!

