A problemática dos estigmas sociais

Ninguém ignora que estamos vivendo em um mundo de altíssima complexidade e em aceleração inimaginável, em que o tempo parece esgotar-se instantaneamente. O tema que vamos tratar neste artigo demandaria uma longa apresentação, mas vamos apresentá-lo de forma panorâmica sem sacrificar o entendimento. Estamos falando dos estigmas, especialmente dos estigmas sociais aos quais Erving Goffman (1952-1982), escritor, sociólogo e antropólogo americano, se dedicou em profundidade.

Erving Goffman nasceu em Alberta, no Canadá, e naturalizou-se americano. Em 1959 ele publicou sua obra mais importante, intitulada A representação do eu, e ganhou vários prêmios, sendo considerado no Século XX o sociólogo mais importante depois de Noam Chomsky (1928), filósofo e ativista político contemporâneo vivendo nos Estados Unidos. Conhecido por sua análise da interação social cotidiana, desenvolveu a abordagem dramatúrgica (o teatro da vida social) e estudos sobre estigma, instituições totais e a construção do eu.

Vamos dedicar mais algumas linhas sobre Erving Goffman. Ele classificou as pessoas como normais ou típicas e anormais ou atípicas, diferentes, sem “marca”. Erving classificou isso como um processo de expectativas normativas, rigorosas quanto a lugares, atitudes, formas de ver o mundo, de comportar em sociedade, pessoas estranhas. Ainda segundo ele, o estigma reduz a capacidade de a pessoa ser total passando a ser incompleta, parcial. As três principais formas de estigma são do corpo, do caráter e da conduta, incluindo a sexualidade, comportamento e postura étnico-raciais. Enfim, o ser não é visto como completo e está submetido a um processo de exclusão ou de estigmatização.

Enfim, a palavra estigma é uma rotulação social que desvaloriza pessoas ou grupos de pessoas que se diferenciam por características específicas bem definidas do que é considerado normal dentro de uma determinada sociedade ou mesmo globalmente, alcançando todas as nações do mundo. Estão incluídas deficiências, origens, estilos de vida etc. É um conceito que foi popularizado por Erving Goffman, que o descreveu como uma profunda desqualificação social, uma “marca” negativa que transforma uma pessoa completa em uma pessoa contaminada sob os nossos olhos.

Principais aspectos dos estigmas. Conceitualmente, podemos discernir vários aspectos e características sempre presentes nos estigmas sociais. A seguir, apresentamos alguns deles:

l           Processo social: Mais que uma característica propriamente dita, devemos considerar como as pessoas reagem ao processo social.

l           Tipos de estigma: Na visão de Goffman, são classificados em três tipos: 1) Deformações físicas; 2. Desvios de caráter e extroversão de culpa individual abrangendo doenças mentais, desemprego (ociosidade) e vícios; e 3, estigmas relacionados a raças, grupos étnicos, religião e vícios com drogas, álcool e fumo.

l           Rotulação e estereótipos sociais: categorização de processos sociais cognitivos e culturais que induz a mente a estabelecer preconceitos portadores de desigualdades e limitações da identidade pessoal, tornando-a depreciativa.

l           Consequências: limitação de acesso às oportunidades, segregação, marginalização, intensificação do sentimento de vergonha.

O fato é que o estigma sempre leva à exclusão social, ou vice-versa, o estigma deriva da autoexclusão em muitos casos.

Principais grupos socialmente excluídos. O principal grupo excluído socialmente no Brasil é a comunidade LGBTQIANP+ (significado das letras do acrônimo L = Lésbicas, G = Gays, B = Bissexuais, T – Transgêneros, Transsexuais, Travestis, Q = Queers, I – Intersexo, A = Assexuais, Arromânticos ou Agêneros, P – Pansexuais, N – Não binários, + incluem outras identidades e variações. Cada letra indica uma experiência única de sexualidade, identidade ou características biológicas. Existem, atualmente, no Brasil, cerca de 15 milhões a 20 milhões de pessoas neste grupo, representando cerca de 12% da população adulta.

Entre outros grupos, mencionamos os seguintes:

l           Moradores de rua: excluídos do sistema econômico, sofrem com a invisibilidade social e falta de moradia.

l           População negra: representa a maioria da população (56,2%) do Brasil, mas sofre com o racismo estrutural, sendo a maior vítima de pobreza, desemprego e sub-representação em cargos de liderança.

l           Povos indígenas: enfrentam vulnerabilidade extrema, com taxas de pobreza seis vezes maiores que a média, além de lutarem pela posse de terras e preservação cultural.

  l         Idosos e crianças: frequentemente excluídos por questões etárias, enfrentam pobreza, abandono ou dificuldade de acesso à saúde e educação. Muitas crianças, também, sofrem bullying nas escolas.

l           Mulheres em geral: particularmente mulheres negras e as de baixa renda, que sofrem com disparidades salariais, dupla jornada e violência de gênero.

l           Pessoas com deficiência (PCDs): PCD é o acrónimo para “pessoas com deficiências”. Elas encontram barreiras de comunicação e de atitudes que dificultam a inclusão O acrônimo PCD foi estabelecido pela Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) e é utilizada desde 2006 para substituir certos termos pejorativos como “pessoa deficiente”, “deficiente” ou “inválido”.

Conclusão. Essas são as principais distorções sociais que encontramos no viver terreno. Daí as dificuldades de relacionamentos além de muitos outros transtornos vivenciais. É deplorável ter que se envolver, por uma razão ou outra, com tais grupos. As pessoas, devido à falta de orientação espiritual adequada, têm total desconhecimento dos seus papéis neste nosso mundo-escola.  Os ensinamentos do Racionalismo Cristão podem mudar essa situação ao longo dos tempos vindouros porque nos esclarece que estamos submetidos às leis universais, especificamente, à lei de causa e efeito e da igualdade espiritual que estabelece que  “todos somos iguais em essência e devemos tratar nossos semelhantes com respeito e dignidade qualquer que seja a situação que se apresenta”.