A vontade e o pensamento, bem adestrados e racionalmente conduzidos, operam como potências da alma humana, as quais são capazes de vencer os maiores obstáculos que se anteponham no caminho da criatura, durante sua existência.
Pensar com valor e agir sensatamente são fatores que se refletem no progresso do ser humano e o auxiliará a desenvolver o raciocínio com eficácia em todos os seus atos.
As dificuldades próprias do mundo constituem condições necessárias ao desenvolvimento de cada um, visto que é na luta de todo dia e através do sofrimento que se fortalece a alma, expandindo sua capacidade de ação contra os elementos adversos a que seja obrigada enfrentar.
Há várias dificuldades a que todos os seres estão sujeitos. Umas decorrem do próprio ambiente em que vive, são provocadas por elementos naturais, e outras decorrem do mau uso do livre-arbítrio. Umas e outras poderão ser reduzidas e amenizadas, desde que o raciocínio trabalhe e a razão se esclareça sobre os porquês da vida.
A ignorância desses porquês tem conduzido as criaturas por caminhos duvidosos e incertos, desenvolvendo-lhes as qualidades negativas, que repercutem no espírito como um peso, retardando a sua evolução ou ascensão a melhor discernimento dos seus deveres no mundo onde vive.
Sempre foi e será a verdade o único sentido capaz de levar ao espírito maior entendimento, e, portanto, melhor condução, preparando-o para enfrentar sem perturbações a luta contra a ignorância sob as mais variadas formas de embuste, que deturpam as coisas e põem à margem os elevados sentimentos, escravizando, assim, a humanidade à mentira e às convenções ridículas e destituídas de fundamento, as quais embrutecem e enfraquecem o espírito humano, entorpecendo a razão e confundindo o raciocínio.
Desenvolver a vontade no seu mais elevado grau e exercitar o pensamento para o bem são trabalhos realmente úteis ao todo, que exigem preparo diário, disciplina, método, liberdade de ação dentro do respeito aos direitos alheios, sem a subordinação aos critérios ditados por interesses inconfessáveis, que transformam a criatura em autômato, sem vontade própria, sem o direito de sentir ou dizer a verdade tal qual ela deve ser dita.
Essa tendência de padronizar valores não equivalentes deve ser reprimida, por ser considerada uma prática injusta, que vem abolir o estímulo e o valor de cada um, como espírito que é, em trânsito neste planeta.
Sem dúvida, há necessidade de melhor compreensão entre todos os seres, e mais tolerância de uns com outros, para haver entendimento e harmonia com base no respeito mútuo, as quais inspiram as virtudes dignificadoras do espírito.
Naturalmente, a educação baseada na sã moral torna-se imprescindível, de modo geral, para que cada um exerça o poder da vontade conscientemente, exercite os pensamentos para o bem, e, afinal, possam ser todos compreensivos, justos, verdadeiros, honestos e respeitadores dos direitos dos seus semelhantes.
Neste sentido é preciso que todos procurem esclarecer-se sobre os seus deveres, lutem corrigindo erros e remodelem-se moralmente. A maior luta que cada um tem a travar é consigo próprio na correção de vícios e hábitos alimentados por vários anos, os quais só a vontade forte e a reeducação dos pensamentos poderão extirpá-los.
A tarefa não é difícil, desde que se mantenha firme a vontade e o desejo perseverante de vencer. A vitória é fruto da ação continuada, do entusiasmo e da confiança com que se alimentam os pensamentos.
Publicado em 15 de janeiro de 1959.

