Auguste Comte e o positivismo

De família burguesa, Isidore Auguste Marie François Xavier Comte foi um filósofo positivista francês, que propunha que somente os fatos observáveis e verificáveis pela experiência são dignos de estudo.

Nasceu em Montpellier, cidade situada no sul da França, em 9 de janeiro de 1798. Porém não teria vida longa – faleceu em Paris, em 5 de setembro de 1857, aos 59 anos, morte que teria sido motivada por câncer.

Além de seu extenso nome, ele foi também o grande nome do positivismo (uma corrente filosófica) e da sociologia (uma ciência), ambos criação dele, mas, como cientista e como filósofo, ficaria conhecido apenas como Auguste Comte.

Em 1814, aos 16 anos, Comte foi estudar na Escola Politécnica, de Paris, estabelecimento escolar de mais avançado ensino da época, onde se interessou por matemática e ciências naturais. 

Doze anos mais tarde, em 1826, conheceria Saint-Simon, outro filósofo francês, e, nos dois anos em que trabalharam juntos, Saint-Simon teria exercido certa influência sobre as ideias de Comte  respeitantes à  sociedade. No entanto, depois de dois anos, se separaram, devido a diferenças filosóficas.   

Entre 1830 e 1842, Comte deu a lume seis volumes de seu primeiro, volumoso e importante livro,  intitulado Curso de filosofia positiva, ou seja, sua  obra mais importante!  

Severo crítico da religião, Comte argumentou que a ciência tinha de substituí-la e ser a principal fonte de autoridade da sociedade. Propôs também a ideia de que a sociedade deveria se organizar em torno da ciência, com cientistas e especialistas em várias áreas tomando decisões políticas.

Comte fundou a disciplina da sociologia e cunhou o termo altruísmo, que significa o amor pelos outros. Ele desenvolveu também a ideia de que a filosofia deve ser uma disciplina prática, que ajude as pessoas a lidar com os problemas reais.

No final de sua vida, Comte se tornou um defensor do “Culto à humanidade”, uma religião laica que ele acreditava que substituiria as religiões tradicionais.

Comte causou impacto significativo na filosofia e nas ciências sociais, apesar das críticas e limitações às suas ideias. Influenciou pensadores como Émile Durkheim, John Stuart Mill e Herbert Spencer, e suas contribuições à Sociologia ainda são estudadas e debatidas na atualidade.

Curso de filosofia positiva – Este é o livro em que Comte trata das bases filosóficas do positivismo, fundado por ele, e da sociologia, ciência criada também por esse filósofo. Em sua opinião, a humanidade evolui através da “Lei dos três estágios: o Teológico, o Metafísico e o Positivo”, e o verdadeiro conhecimento se baseia na observação e na experimentação.

“A ordem por base e o progresso por fim” é outra ideia desenvolvida por Comte nesta obra, e foi, na verdade, tal ideia, é oportuno lembrar, que inspirou a frase “Ordem e Progresso“ da Bandeira do Brasil.   

Discurso sobre o espírito positivo – Neste seu “discurso”, Comte apresenta os pilares do positivismo e afirma que, desde que baseado na observação da realidade e na descoberta de leis “invariáveis”, o conhecimento científico é a única forma de saber válida e organizada.

Ele considera que, em vez de uma busca infrutífera por “causas” metafísicas, o objetivo do espírito positivo deve ser “ver para prever“ e, tendo em vista isso, utilizar os fatos e a experiência, a fim de entender o “como” das coisas e prever seu desenvolvimento.

Uma visão geral do positivismo – Comte  defende, nesta obra,  que a ciência é a única forma de conhecimento verdadeiro, acessível através da observação empírica e da aplicação do método científico, possibilitando assim a compreensão das leis que regem o Universo e a sociedade, e até convencendo que não há necessidade de crenças religiosas e especulações metafísicas.

Comte discute também a Lei dos três estágios, e o faz para descrever a evolução do pensamento humano e da sociedade através de três fases distintas: o Estado Teológico (explicações sobrenaturais), o Estado Metafísico (explicações abstratas) e o Estado Positivo (explicações científicas baseadas na observação e na experimentação).

Foi também ao escrever esta obra que Comte fundou a sociologia, ciência criada por ele, tendo por finalidade analisar a sociedade, buscar o bem comum e discutir sobre a classe trabalhadora e o papel do Estado.

A Religião da humanidade – Apesar da palavra “religião” no título do livro, esse ápice da carreira filosófica de Comte é, na verdade, uma obra de caráter laico – baseia-se na ciência; visa à regeneração social e moral; promove a ordem social e o progresso; incentiva o amor ao próximo; substitui as tradicionais religiosidades de índole mística, teológica e metafísica; e defende uma espiritualidade puramente humana, baseada no altruísmo e no culto à humanidade – sublimada por Comte à condição de Ser Supremo de sua religião.

Ademais, essa doutrina comtiana usa um calendário e rituais próprios e homenageia os homens e mulheres que contribuíram, contribuem e contribuirão para o progresso da humanidade.