Autoconsciência

Temos afirmado reiteradas vezes que o mundo passou por notáveis e surpreendentes transformações ao longo das últimas décadas. Migramos da Era Industrial para a Era da Informação e do Conhecimento, recebendo os influxos — positivos e traumáticos — de todas as consequências e desdobramentos associados a esse processo de transição. 

Sem dúvida, o conhecimento é importantíssimo. Mais ainda, sobretudo no contexto de nossos estudos filosófico-espiritualistas através do Racionalismo Cristão, o é o autoconhecimento, que é o conhecimento das próprias potencialidades, faculdades, limitações e particularidades. 

Contudo, além do autoconhecimento, que deve ser suplementado e potencializado, cremos que o estudo e o desenvolvimento da autoconsciência tende a assumir cada vez mais espaço e relevo no campo de nossas análises e considerações. Prova disso é a presente reflexão, na qual abordaremos, em termos sintéticos e iniciais, o tema da autoconsciência. 

O conhecimento ou cognição, vocábulos latinos que se referem ao ato ou efeito de conhecer, se relacionam ao conjunto de processos mentais, psíquicos e neurobiológicos que permitem aos seres humanos interagir entre si e com a realidade que os circunda, criando a própria identidade e estruturando sociedades cada vez mais complexas à medida que evoluem. 

O autoconhecimento, em particular no campo de nossos estudos filosófico-espiritualistas, pode ser traduzido como o conhecimento que a pessoa tem de si mesma a partir de uma perspectiva transcendente, ou seja, o conhecimento que ela tem dos valores imateriais intrínsecos, da força inerente a seus pensamentos e, logicamente, de sua composição: espírito, corpo fluídico e corpo físico. 

Ressaltada e reafirmada a importância do conhecimento e mais ainda a do autoconhecimento, há que levar em conta que o processo de conhecimento é influenciado constantemente pelo intenso materialismo a que todos estão sujeitos neste planeta de escolaridade. 

Todos estão expostos também a condicionamentos, hábitos, informações subliminares e sugestionamentos sutis que dificultam enormemente o conhecimento verdadeiro das coisas e das situações. 

Nessa perspectiva, permitimo-nos perguntar: serão o conhecimento e o autoconhecimento plenamente suficientes para o contínuo aprimoramento espiritual dos seres humanos, levando em conta as influências próprias do mundo físico e as complexas transformações mencionadas na introdução? 

Cremos que não basta a pessoa conhecer conteúdos, por mais significativos que eles sejam, e armazená-los na mente. É preciso um passo a mais, um incremento; é preciso ter consciência da real significação desses conteúdos e, tanto quanto possível, do funcionamento da própria mente e de determinados processos internos que, no mais das vezes, escapam à percepção de grande parte das pessoas. 

Quando, além de apenas tomar conhecimento de nossos valores e de nossa composição, buscamos identificar sua essência, mecanismos e finalidades, estamos de fato desenvolvendo a autoconsciência. 

A experiência demonstra que o conhecimento nem sempre opera, por si só, importantes e positivas transformações. O esforço consciente — este, sim — é capaz de remover montanhas. 

Pelo autoconhecimento, aprendemos o imenso valor do pensamento, o que é muito bom. Entretanto, pela autoconsciência, passamos a pensar e refletir sobre o processo que dá origem ao pensamento, ou seja, tornamo-nos capazes de influenciar ativa e diretamente o conteúdo de nossos pensamentos. Isso não é maravilhoso? 

Ser uma pessoa verdadeiramente disciplinada significa direcionar nossas melhores energias na consecução dos mais relevantes objetivos e metas. Conhecer o próprio potencial e valor é importante, mas administrá-los com clareza e foco, tornando-os fonte de inspiração, é mais significativo ainda, e para tanto é imperativo desenvolvermos a autoconsciência. 

Como vimos nas últimas décadas, incontáveis inovações e transformações influenciaram enormemente o âmbito da vida pessoal e coletiva em todos os quadrantes do mundo contemporâneo. Nesse linear, manifesta a necessidade de renovarmos sempre o compromisso com o aprimoramento espiritual. Portanto, gostaríamos de convidar-lhes a dar mais atenção à importância da autoconsciência, bem como a desenvolvê-la a partir dos princípios da espiritualidade, que são os únicos capazes de assegurar todo e qualquer desenvolvimento positivo, efetivo e sustentável. 

Tenham a certeza de que desdobraremos este assunto de maneira mais pormenorizada em futuro breve, sempre à luz dos ensinamentos divulgados pelo Racionalismo Cristão. 

Muito Obrigado!