Equilíbrio, bom senso e moderação

As múltiplas circunstâncias desafiadoras que marcam o presente momento histórico suscitam na mente das pessoas que buscam harmonia interior paralelamente ao êxito em seus empreendimentos uma importante e inadiável indagação: qual é o parâmetro que, nos agitados dias atuais, deve servir de orientação a nossas ações cotidianas? 

Na presente reflexão procuraremos responder, de forma sintética, contextualizada e à luz da espiritualidade defendida pelo Racionalismo Cristão, a essa oportuna pergunta. 

O parâmetro que serve de orientação segura às práticas humanas a partir de uma concepção mais ampla, racional e abrangente da vida consiste, sem dúvida, no equilíbrio, orientado pela liberdade, traduzido no bom senso e na moderação e (re)pensado à luz da espiritualidade autêntica. 

Com certeza, a pessoa equilibrada presta testemunho sobre um modo de ser sempre atualizado, admirado e respeitável, independentemente de condicionalismos, reducionismos ou modas passageiras e efêmeras. 

A ideia de equilíbrio, à luz da espiritualidade, traz em si um princípio de organização e unidade, que se traduz, acima de tudo, no bom senso e na moderação. Isso significa que, quando o ser humano tem como modelo de suas ações cotidianas o equilíbrio, torna-se capaz de dominar os instintos e as emoções sabotadoras, em vista do alcance do autoaperfeiçoamento e da autoconsciência, ou seja, em vista da felicidade. 

“A virtude está no meio-termo”. O enunciado não é de nenhum pensador contemporâneo, tampouco de um famoso influencer do mundo digital. Remete antes a Aristóteles, importantíssimo filósofo realista e fundador do Liceu de Atenas, que viveu há mais de dois mil anos. 

Apesar de podermos ampliar e desdobrar tal afirmação à luz dos conhecimentos transcendentes, certo é que ele demonstra de modo inquestionável que a verdade não sofre os efeitos da passagem do tempo, mas permanece sempre útil e atual. Sim, ainda hoje – e sobretudo hoje –, considerar o meio-termo como uma virtude revela uma atitude autêntica, inteligente e racional, jamais antiquada ou ultrapassada. 

No contexto de nossos estudos filosófico-espiritualistas através do Racionalismo Cristão, o conceito de meio-termo ou de equilíbrio ultrapassa a concepção de virtude, concebida como um hábito salutar e benfazejo que busca alinhar-se ao que é considerado correto. 

O equilíbrio, a nosso sentir, é mais do que uma virtude: é um referencial ético de valor universal e imperecível, que deve ser defendido atualmente contra a tirania do radicalismo e contra o desrespeito a todas as formas de vida. 

Pensar no equilíbrio como um referencial que deve embasar as ações humanas e o senso de preservação da vida recorda-nos algo que nem sempre é evidente no contexto da realidade materialista em que nos encontramos: que o ser humano, para atingir a plenitude de suas capacidades, deve estar inserido em um contexto ecologicamente harmônico e equilibrado. 

O equilíbrio é mais do que uma virtude: é o sustentáculo não apenas das ações dignas empreendidas pelos seres humanos esclarecidos, mas da vida na natureza, nos ecossistemas, no planeta. Compreendem agora melhor sua abrangência? 

Que tal compreensão se converta em ações objetivas e se traduza nos lábios de todos nós em palavras de estímulo à preservação da vida em todas as suas dimensões e possibilidades. 

Todo ser humano que, quando em meio ao abalo da agitada sociedade contemporânea, se mantém equilibrado e conserva, graças à lucidez espiritual que por empenho próprio conquistou, o bom senso e a moderação, demonstra que é capaz de se posicionar com consciência e originalidade a despeito das tendências que o interpelam, que é capaz de conservar sua integridade e higidez de caráter na contramão do agitado e entorpecedor materialismo, que é capaz de redesenhar-se num exercício de constante aprimoramento. 

O fomento ao equilíbrio por parte de nossos estudos dos ensinamentos do Racionalismo Cristão livra-nos do risco de vivenciarmos uma existência baseada somente em critérios materialistas, que podem até funcionar por um tempo, mas que acabam por comprometer seriamente a saúde integral do ser humano no longo prazo. 

O equilíbrio é um critério que se ergue mais alto, acima das desventuras das circunstâncias e dos modismos. Cultivemo-lo sempre à luz da espiritualidade de nossa filosofia de vida, a fim de alcançarmos, de maneira legítima e sustentável, nossos mais elevados objetivos, nossas mais sublimes metas. 

Muito Obrigado!