No contexto da sociedade contemporânea, incontáveis pessoas revelam-se desmotivadas, desanimadas e sem referências sólidas, apresentando cotidianamente enormes dificuldades em afastar de si temores e receios, muitas vezes infundados e fantasiosos, que as impedem de conquistar seus objetivos.
Nessa perspectiva e com o intuito de apresentar soluções eficazes para tal problema, preparamos a presente reflexão, na qual procuraremos evidenciar conceitos poderosos e encorajadores, ao mesmo tempo que forneceremos um roteiro prático e seguro para o reconhecimento e a interpretação das autênticas e eficazes fontes de estímulo.
No campo de nossos estudos racionalistas cristãos, é preponderante o entendimento de que a sabedoria, a justiça e a verdade representam, para além de magníficas virtudes, fontes perpétuas de estímulo às ações humanas que conduzem ao bem-estar físico, à saúde psíquica, ao desenvolvimento espiritual e, por conseguinte, às mais notáveis conquistas.
O cultivo de tais virtudes possibilita à pessoa uma enorme liberdade de ação. Conjugando-as com pensamentos elevados, o ser humano imprime à vida uma força expressiva, que o capacita a enfrentar corajosamente os obstáculos, as ilusões e os dramas da existência.
A sabedoria, resultado da maturidade, é prova do desenvolvimento espiritual. Representa, em termos práticos, uma recusa consciente e firme ao materialismo e às contradições a ele inerentes, bem como às visões deturpadas do verdadeiro sentido da vida, o qual aponta para o constante aprimoramento dos atributos e faculdades do espírito. Para alcançá-lo, mostram-se indispensáveis a disciplina, a prudência, a moderação e a prática do bem.
A justiça é o fundamento da paz e da estabilidade no campo das relações humanas. Com certeza, a consciência moral de seu relevante valor estimula o respeito aos direitos próprios e alheios, ao mesmo tempo que adverte o ser humano acerca de seus deveres e responsabilidades. Ela corrige, restaura, equilibra e distribui benefícios com base no mérito; contudo, alcança sua máxima expressão quando, afastando-se da ideia de vingança e de simples instrumento de combate às disputas, se deixa interpenetrar pelos valores da espiritualidade defendidos pelo Racionalismo Cristão, como o amor ao próximo e o benquerer.
A verdade baseada na sabedoria e na justiça, fonte de coragem e liberdade, é hoje, mais do que nunca, atacada pelo materialismo, em todas as suas expressões e complexas estruturas. O materialismo estrutural, desprezando os princípios ético-espirituais, impõe que a verdade pode ser percebida apenas pelos limitados sentidos físicos e dissociada da moral, fugindo às virtudes da sabedoria e da justiça. Ora, é patente que a pessoa que se deixa influenciar por tal ideologia age inescrupulosa e destrutivamente, no sentido de satisfazer suas pretensões e necessidades imediatas: elabora e propaga notícias falsas, envolve-se em conluios e intrigas e pratica toda ordem de imoralidades para alcançar seus objetivos, os quais acredita serem legítimos – tamanhos são a alienação e o desrespeito que nutre em relação aos valores espirituais, cujo cultivo constitui o único meio que conduz à verdade libertadora.
As pessoas que vivem sufocadas pela indecisão e pela falta de ânimo encontrarão na sabedoria, na justiça e na verdade, interpretadas e vividas à luz da espiritualidade proposta pelo Racionalismo Cristão, o vigor da renovação e do fortalecimento a que aspiram. O mesmo é verdadeiro, no entanto, para os seres humanos atormentados pelo gosto amargo do materialismo e enfraquecidos pela desconcertante experiência dos sentidos e das paixões.
O objetivo desta reflexão é exatamente o de fornecer subsídios espiritualistas e práticos fundamentados nos conceitos do Racionalismo Cristão para a harmonização das relações sociais e para o fortalecimento dos seres, a fim de que se sintam constantemente estimulados a bem cumprir suas obrigações e, acima de tudo, a jamais se desviar de sua missão de autoaperfeiçoamento, que leva, inevitavelmente, à felicidade – missão que se deve pautar, sem dúvida, pelos critérios da sabedoria, da justiça e da verdade.

