José Ortega y Gasset: ‘Eu sou eu e as minhas circunstâncias’

Formado em filosofia e letras, mas acima de tudo filósofo, José Ortega y Gasset nasceu na capital espanhola, Madri, em 9 de maio de 1883, e faleceu, aos 72 anos, também na capital, em 18 de outubro de 1955.   

Autor de vasta obra, sobre política, arte, sociedade, cultura e educação, e da célebre frase “Eu sou eu e as minhas circunstâncias”, Ortega y Gasset foi, assim como Unamuno (tema de meu artigo anterior), um filósofo da “safra” de importantes pensadores espanhóis do século XX.

Estilo acessível. Ao escrever suas obras, Ortega destacou-se também, diz um estudioso, por utilizar um estilo acessível, caracterizado pela clareza, pela didática e por uma forma cativante de escrita, pois visava, também, a “um público não especialista”.

Desse modo, sua atraente prosa, aliada ao rigor metodológico, permitiu que os escritos de Ortega alcançassem um vasto público, pois o “estilo acessível“ do filósofo tornava compreensível o que ele escrevia independentemente da profundeza dos temas que abordava.

Destaquem-se ainda, em sua vasta obra, a combinação de rigor intelectual com o fato de Ortega tratar a razão não como algo externo, e sim como uma função essencial e inerente ao ato de viver.

Ambiente em que cresceu. Ortega admitiu que, além de seus estudos em universidades da Espanha e da Alemanha, o ambiente culto no qual cresceu também teria sido fundamental para estruturar seu pensamento crítico-filosófico; e reconheceu ter sido na Alemanha que absorveu correntes intelectuais que ele introduziu na Espanha.

Entre os temas da filosofia de Ortega, merece destaque especial o que esse pensador chama de “raciovitalismo”, termo criado por ele ao definir o ser humano como um “eu-circunstância”. Acrescente-se a isso a decisão dele de adotar também como base de sua filosofia o “perspectivismo”, doutrina segundo a qual o conhecimento é sempre parcial, por ser limitado pela perspectiva particular, de acordo com a qual cada indivíduo observa o ambiente em que vive e interage com ele.

A Rebelião das massas. Nessa obra, considerada um marco do pensamento sociológico contemporâneo, Ortega procede a uma análise dos seguintes problemas da sociedade europeia: a ascensão do “homem-massa”, sem metas próprias, consumidor da cultura” sem criá-la e que, além de impor seus desejos, não aceita normas nem conhecimentos superiores; a crise cultural provocada pelo nivelamento por baixo; a substituição das minorias exemplares pela “ação direta” das massas na política; a massificação da sociedade; e o declínio das elites intelectuais.  

Segundo Ortega, o homem-massa consome os produtos da civilização como um “bárbaro técnico”, sem entender os fundamentos que a tornaram possível; considera sua mentalidade comum como a única válida; e rejeita todo limite, norma ou autoridade que não seja a sua própria vontade.

Consequentemente, lamenta Ortega, o homem-massa rejeita os conhecimentos superiores baseados na excelência, na tradição cultural, no rigor intelectual e na hierarquia de valores, que exigem esforço e especialização. A filosofia, as ciências fundamentais, a alta cultura e a ética são alguns desses “rejeitados conhecimentos“.

Meditações do quixote. Obra em que consta a célebre frase de Ortega: “Eu sou eu e as minhas circunstâncias”, base de sua filosofia perspectivista.

A desumanização da arte. Uma reflexão fundamental sobre a arte moderna, discutindo como a arte se afasta da representação realista para focar em si mesma.

O que é Filosofia?  Uma série de lições que exploram o sentido da atividade filosófica.

História como sistema. Examina o conceito de razão histórica, argumentando que a realidade humana só pode ser compreendida através da história.

Estudos sobre o amor. Uma coleção de ensaios que analisam o fenômeno amoroso sob uma perspectiva filosófica.