O dinamarquês Michael Kierkegaard, quando jovem, tinha sido pastor, mas um episódio traumático destruíra sua fé. No entanto, ele acabaria se enamorando de Anne Sørensdatter Lund, também dinamarquesa, e logo se casaram.
Michael Kierkegaard e Anne Sørensdatter tiveram sete filhos, mas apenas dois sobreviveram até a idade adulta: Soren Kierkegaard, o mais novo, e Peter Christian Kierkegaard, o mais velho.
Soren Kierkegaard nasceu em 5 de maio de 1813 e faleceu, prematuramente, também na capital, em 11 de novembro de 1855, aos 42 anos.
Ele se destacou não só como filósofo dos dramas da vida e como precursor do existencialismo, mas também como poeta, crítico social e até como um dos escritores mais inovadores da época. Além disso, influenciaria profundamente a literatura e o pensamento contemporâneo.
Como teólogo da religião luterana da Dinamarca, Kierkegaard dedicou-se não só à reforma dessa doutrina religiosa, mas também a projetos ligados à teologia cristã, à defesa de uma fé individual e subjetiva, bem como à crítica do cristianismo “de fachada”. Conta-se, ainda, que nunca aceitou os pedidos para ordenar-se ministro da igreja luterana de seu país.
A infância do futuro filósofo foi fortemente marcada pela morte de seus cinco irmãos, o que influenciaria sua visão de mundo e, por via de consequência, sua filosofia.
A relação do caçula com o pai, por sua vez, marcou profundamente a personalidade do filho e também “serviria de alicerce” para suas futuras obras.
Aos 17 anos, ele ingressou no curso de teologia, na Universidade de Copenhague, mas logo o abandonaria para cursar o que realmente lhe interessava – a filosofia.
Em 1838, morreu seu pai. Kierkegaard, então com 25 anos, herdou uma grande fortuna que lhe permitiu dedicar mais tempo a seus escritos e a projetos ligados à teologia cristã, à reforma da Igreja Luterana Dinamarquesa, à defesa de uma fé individual e subjetiva, bem como à crítica do cristianismo “de fachada”. Conta-se, ainda, que nunca aceitou os pedidos para ordenar-se ministro da igreja luterana.
Sabe-se, no entanto, que Kierkegaard viveu com o “complexo de mártir”, pois era ligeiramente corcunda e tinha uma perna mais curta do que a outra. Ademais, após romper o noivado, optaria pela solidão. Achava que seria a única maneira de lidar com a fé religiosa e administrar o fracasso que assolou sua família.
Principais obras de Kierkegaard:
Ou isso ou aquilo. De acordo com ele, a vida do ser humano tem três importantes etapas: a estética (prazer e imediatez); a ética (dever e lei universal); e a religiosa (fé, ou seja, o indivíduo diante de Deus). Ele argumenta que elas são cruciais para uma autêntica vida.
A estética, diz Kierkegaard, é marcada pela superficialidade, e a ética, pela responsabilidade; mas ambas são insuficientes sem o salto para a etapa religiosa, que confronta o indivíduo com sua liberdade e a angústia, o que exige um compromisso pessoal e subjetivo com a verdade e a fé, para superar o conformismo.
O conceito de angústia. Para esse filósofo, essa situação aflitiva é uma experiência fundamental na vida de uma pessoa, pois faz com que essa pessoa se confronte tanto com sua responsabilidade quanto com sua liberdade; além disso, argumenta Kierkegaard, abre caminho para a fé e a subjetividade autêntica, em oposição à massificação e à racionalidade abstrata.
Temor e tremor. Esta obra do pensador existencialista é uma análise da condição existencial do ser humano diante do “Divino” (Deus). Para Kierkegaard, no estágio religioso o Absoluto é Deus, o “Único”, com quem o indivíduo se relaciona singularmente, transcendendo a ética e a razão; é a entrega total à fé em um relacionamento pessoal e paradoxal, exemplificado pelo bíblico Abraão, “que se colocou diante de Deus, acima das leis morais universais, buscando o sentido último da existência na transcendência divina”.
A doença mortal. Segundo Kierkegaard essa doença é o desespero, considerado por ele a verdadeira doença humana, um estado em que a pessoa vive em desarmonia consigo mesma e que varia do desespero inconsciente ao consciente. Segundo Kierkegaard, “para essa doença só encontramos cura na fé e no relacionamento autêntico com o Criador”.

