Mecanismos de defesa

Para muitos seres, os problemas que têm espaço em sua vida pessoal – o rompimento de relações de amizade por conta de imaturidade, os transtornos emocionais, a insônia, a irritabilidade, a atração pelos vícios e a instabilidade de sentimentos, entre outros – não representam algo que tenha vínculo com a realidade espiritual. Para alguns porque, apesar de preocupados com a boa marcha de sua existência, simplesmente desconhecem o que se passa na atmosfera fluídica do planeta e não manifestam a menor intenção de compreendê-lo, resignando-se com os altos e baixos a que, por vontade própria, se expõem; para outros porque premeditadamente fazem questão de ignorar a realidade transcendente que tudo fundamenta e interpenetra, visto que suas leis, a rigor, são contrárias aos impulsos e comportamentos com os quais têm prazer. 

Contudo, há um número considerável de pessoas conscientes de sua essência espiritual e atentas ao influxo energético que se dá entre os diversos campos espirituais que envolvem este planeta de aprendizados. A estas dirigimos a presente reflexão, que enseja informá-las, à luz dos ensinamentos propostos pelo Racionalismo Cristão, dos mais eficazes mecanismos de defesa contra as vicissitudes oriundas de influências espirituais deletérias e inadequadas, que tantos prejuízos causam à humanidade. 

Pensamento elevado, disciplina, prática do bem e ocupação racional do tempo: eis os mais eficazes mecanismos de defesa do ser humano diante das demandas e percalços da vida cotidiana, bem como das adversidades que eventualmente lhe sobrevenham por conta de influências espirituais negativas e nocivas. 

Tais mecanismos de defesa representam, sobretudo nos turbulentos dias atuais, a chave para um progresso gigantesco no campo do equilíbrio psíquico e da consolidação dos mais elevados ideais espiritualistas, pois propiciam a passagem da imaturidade e da impotência ante as mais devastadoras influências espirituais para um estado de fortaleza de ânimo, de domínio próprio e de dignidade existencial. 

Sabemos, por conta de nossos estudos através dos ensinamentos do Racionalismo Cristão, que o pensamento influencia, em um primeiro momento, seu próprio emissor, mas também, em um segundo momento, em maior ou menor proporção, o conjunto dos demais seres humanos. 

Dessa forma, tal verificação nos impõe como irrecusável o entendimento da importância e do poder do pensamento elevado, que, no contexto das análises que explanamos, pode ser traduzido como uma vibração espiritual voluntária, vigorosa, bem delimitada e interpenetrada pela convicção quanto à primazia do bem, da verdade e da justiça sobre todas as coisas. 

Nada mais pernicioso ao desenrolar progressivo da vida e nada mais propiciador de más influências que a indisciplina no viver, traduzida na falta de senso de prioridade e na irresponsabilidade quanto à positiva consecução das tarefas assumidas. 

Infelizmente, subsiste em não poucos setores da sociedade contemporânea a pseudoideia de que o insucesso material, por um lado, e o desequilíbrio psíquico e a depressão, por outro lado, se devem a causas inexplicáveis e a contingências intraduzíveis, fundamentadas na eventual vontade de um destino cego e implacável. Ora, nada mais desarrazoado e inapropriado. 

A disciplina é um poderoso instrumento contra as múltiplas influências negativas que procuram envolver o ser humano todos os dias. Sejamos disciplinados e veremos a força espiritual resultante de nosso gesto. No campo da disciplina no viver, a experiência prática vale mais do que as imagens e as palavras. 

A expressão “praticar o bem” tem servido de mote para que diversos autores e escolas filosóficas escrevam incontáveis páginas e volumosas obras. Nós, porém, conscientes de que cada ser humano quer o melhor para si, definimo-la em termos sintéticos: praticar o bem consiste em desejar e fazer pelo próximo o mesmo que gostaríamos que desejassem e fizessem por nós. Simples assim. 

Enquanto a ociosidade e a falta de organização acarretam cada vez mais a diminuição da capacidade de reação do ser humano diante dos obstáculos que vivencia, dando ensejo às mais inapropriadas intuições e influências, a ocupação racional do tempo enseja fortaleza espiritual, coragem e domínio próprio. Por essa razão, estimulamo-la constantemente em nossos escritos e alocuções. 

Na verdade, o trabalho honesto e metódico, que é resultado lógico da ocupação racional do tempo e deve ser dignamente remunerado, consiste em um excelente antídoto à imensa maioria dos males que avassalam a humanidade: os problemas econômicos, as crises morais e éticas e as mais diversas formas de distúrbios emocionais e psíquicos. 

A presente reflexão objetivou enfeixar de modo sintético, mas nem por isso pouco profundo, os principais mecanismos de defesa à disposição das pessoas inteligentes e espiritualizadas ante os desafios que se lhe apresentam e ante as influências que as pretendem subordinar e desequilibrar. 

Esperamos sinceramente que as pessoas conscientes de sua essência espiritual e atentas ao influxo energético que há entre os diversos campos espirituais que envolvem a Terra, aos quais fizemos referência na introdução, cultivem e valorizem os mecanismos aqui analisados, observem suas características e se detenham em suas peculiaridades e aspectos, a fim de que eles estejam sempre presentes em sua consciência, propiciando-lhes uma existência produtiva, plena e feliz, como nos esclarece o Racionalismo Cristão. 

Muito Obrigado!