Evidências científicas aproximam, cada vez mais, a ciência experimental da filosofia racionalista cristã. São inúmeras as evidências científicas que, paulatinamente, vem estreitando a distância entre estas duas áreas do conhecimento. Pesquisas e descobertas científicas mais recentes, na área do conhecimento denominada neurociência, apontam evidências de que a memória não é perdida, perde-se a capacidade de recuperar (acessar) os registros da memória.
Este artigo procura tratar em síntese o que é memória, suas modalidades, como se forma, sua constituição e funcionalidades, investigando através do método comparativo, válido e reconhecido pela ciência experimental, as similaridades e divergências entre o que apontam as evidências científicas recentes e a filosofia racionalista cristã através de seu arcabouço teórico (seus princípios) e prático (sua metodologia continuamente renovada) sobre a questão instigante: a memória é perdida (apagada) ou perde-se apenas a capacidade de recuperá-la?
Medo da perda de memória. Cresce cada vez mais a preocupação da perda ou apagamento da memória e o receio de se estar enveredando pela demência, como a doença de Alzheimer (enfermidade neurodegenerativa), cujos transtornos provocados vão muito além das temidas e conhecidas perdas de memória. Muitas pessoas, toda vez que se esquecem de seus compromissos, suas chaves, deixam o fogão ou ferro de passar roupa ligados, o leite derramar, portas destrancadas, o simples fato de não se lembrarem de um nome, logo se manifesta a persistente preocupação da perda de memória. Na maioria dos casos, porém, esses pequenos e irritantes incidentes são parte da perda normal de memória associada à idade, cansaço ou mesmo devido ao estresse, não um sinal iminente de demência.
Memória na visão da ciência. A capacidade de memorização é, antes de tudo, um fenômeno biológico e psicológico que envolve uma cooperação entre sistemas cerebrais que funcionam conjuntamente. A memória é uma faculdade cognitiva ligada a um complexo mecanismo que abrange o arquivo (registro ou armazenamento) e a recuperação que é um mecanismo de leitura ou busca de registros (conhecimentos, experiências), e está intimamente associada à aprendizagem.
A aprendizagem é a aquisição de novos conhecimentos e a memória é a retenção daqueles já aprendidos. O hipocampo (região cerebral localizada na região dos lobos temporais próximos às orelhas), é considerado pela ciência como a área responsável pelo armazenamento de lembranças, apesar de atuar em série e em paralelo com outras estruturas cerebrais que compõem esse complexo sistema chamado memória. Ela nada mais é que interações entre os neurônios. Para memorizar algo, o cérebro realiza conexões entre as células envolvidas naquela informação, criando uma afinidade entre todas elas. Ao se recordar dessa referência, os mesmos neurônios responsáveis por aquela ligação são ativados recuperando os dados.
Modalidades de memória. A memória não é uma função isolada. O termo memória engloba várias modalidades de lembrar e algumas delas não declinam com a idade. Pessoas mais velhas, por exemplo, continuam dominando seu vocabulário, junto com seu conhecimento geral sobre o mundo (memória semântica). Elas são capazes também de executar tarefas rotineiras, como dirigir o carro, fazer uma omelete, ou digitar em um computador com destreza mais ou menos igual à que tinham quando eram mais jovens (memória processual). Mas seu desempenho piora para lembrar de fatos recentes em sua vida (memória episódica) ou recordar onde receberam originalmente uma informação (memória de origem), gerenciar o armazenamento temporário de informações de curto prazo (memória de trabalho), e lembrar-se de coisas a fazer (memória prospectiva).
Evidências científicas. Pesquisa recente, relacionada à memória, agitou o mundo científico. Utilizando-se de modelos animais roedores (ratos camundongos que, como os seres humanos, tendem a ter princípios comuns em termos de memória) os cientistas realizaram alterações genéticas que deixaram os animais com sintomas semelhantes aos de pessoas com Alzheimer, e separaram outro grupo com animais saudáveis. Posteriormente, ambas as amostras sofreram pequenos eletrochoques dentro de um recipiente. Os animais foram colocados em caixas cuja superfície inferior estava eletrificada, causando uma descarga desagradável, mas não perigosa, sobre os seus membros sempre que os animais tocassem nessa estrutura. Aqueles que não apresentavam sintomas de Alzheimer demonstraram temor em voltar para a caixa, o que não ocorreu com os outros roedores portadores desta enfermidade neurodegenerativa, indicando as dificuldades de memória de curto prazo que são típicas de quem tem demência. Porém, a reviravolta aconteceu quando o grupo de ratos com Alzheimer, por meio de uma técnica conhecida como optogenética, foi exposto a uma luz azul que estimula áreas específicas do cérebro (as chamadas “células de engramas”, relacionadas com a memória), fazendo com que os ratos passassem a se lembrar da sensação desagradável, permitindo a eles recuperar experiências e memórias que pareciam esquecidas.
A iluminação estimulou células do cérebro ligadas à memória e, após esse impulso, os ratos com Alzheimer também demonstraram medo de voltar para a caixa de choques. O mesmo resultado foi observado quando os animais eram colocados num recipiente diferente durante o estímulo, o que comprova que a memória se manteve, ela não se apaga. Ao analisar a estrutura física do cérebro dos ratos, os investigadores mostraram que os animais afetados com a doença de Alzheimer tinham menos “espinhas dendríticas”, através das quais as conexões sinápticas são formadas. Com a repetição dos estímulos luminosos, os animais podem incrementar o número de espinhas dendríticas atingindo os níveis dos ratos saudáveis.
Os cientistas constataram que a memória de ratos foi recuperada através de um sinal natural, referindo-se ao recipiente que causava o comportamento de medo. Isto significa que os sintomas da doença de Alzheimer em camundongos foram curados, pelo menos nos estágios iniciais. Segundo os observadores envolvidos nesta pesquisa, trata-se de um indicativo de que a memória sempre esteve presente, ela apenas estava inacessível e precisou de um empurrãozinho (estímulo) para despertar novamente. Estudos demonstram que devido à complexidade do cérebro humano é praticamente impossível apagar definitivamente todas ou certas lembranças, pois as memórias se processam em grande parte em paralelo, e não há possibilidade de inibir o funcionamento de todas as áreas envolvidas.
Por exemplo, quem sofre acidente vascular cerebral (AVC), pode conservar tão bem as memórias (existem registros duplicados ou multiplicados delas). O que se pode é inibir a evocação (busca) de determinadas memórias, mas isso não as apaga ou faz com que elas fiquem perdidas, pois as memórias ainda estão lá. Esta pesquisa foi patrocinada pelo Centro RIKEN-MIT para Genética de Circuitos Neurais, é a primeira a mostrar que o problema não é a memória, mas as dificuldades na sua recuperação.
Os resultados desta pesquisa fornecem algumas das primeiras evidências de que a doença de Alzheimer não destrói por completo as memórias específicas, torna-as apenas inacessíveis. Os experimentos sugerem que de fato o que acontece é um problema de acesso à informação, e não que haja incapacidade de registrar, guardar essa memória.
Memória na visão do RC. Memória é um tema muito estudado em diversas áreas do conhecimento científico e, também, na filosofia racionalista cristã. Observa-se que essa temática não é nova, pois, segundo registros, desde a antiga Grécia já se tratava desse assunto. A palavra memória provém do grego e tem o sentido de vir à tona, emergir, aflorar o que está submerso e armazenado. Representa a ação de guardar, registrar ou acumular em algum repositório, para posterior ação de recuperar, lembrar, o que está armazenado.
Na ótica desta Filosofia, o ser humano é a mais pura expressão do subconsciente e o subconsciente é a mais pura expressão das diversas experiências vivenciadas, boas e ruins, nesta e em existências anteriores. A sua constituição é de matéria fluídica, oriunda do campo de estágio da parcela-Força (o espírito). Sendo a matéria elemento inerte, independentemente de sua densidade, à medida que a parcela-Força vai progredindo, evoluindo, diafaniza o seu corpo fluídico (subconsciente), substituindo a matéria de que é formado por outra mais diáfana (menos densa), e mais de acordo com o seu progresso, mas os registros da memória (subconsciente) armazenados em forma de vibrações jamais são perdidos, apagados.
Arquivos no corpo fluídico. No corpo fluídico (subconsciente) são, indelevelmente, registrados fatos, informações, imagens, ideias, conhecimentos, inclinações positivas ou negativas, padrões de comportamento, que pertencem ao domínio da memória, adquiridos na atual e anteriores existências, que modelam o caráter, a personalidade, influenciando de forma determinante as nossas tomadas de decisão, ações e conduta.
Os registros do subconsciente podem facilmente emergir, localizando-se na esfera do consciente, por intermédio de mecanismos psíquicos (vibrações do espírito) que são ativados fazendo aflorar os registros para que possam ser percebidos, estudados, analisados, trabalhados e reeditados. Reeditar o subconsciente (a memória) significa mais do que simplesmente lembrar. Na maior parte das vezes, lembrar não é apenas reviver e, sim, coletar, repensar, reconstruir e atualizar com informações, conhecimentos, imagens e ideias de hoje, as experiências do passado que estão gravadas em nossa memória (subconsciente).
Podemos não perceber, mas o tempo todo, enquanto raciocinamos, o nosso consciente interage simultaneamente, em via de mão dupla, com o nosso subconsciente e, também, com o ambiente externo em que estamos mergulhados, recebendo de ambas as fontes mensagens que são sinais, dados, informações, imagens, ideias e conhecimentos que são interpretados e processados em nosso consciente e depois armazenados em nossa memória, no subconsciente, e/ou transmitidos ao ambiente externo de forma trabalhada.
Mecanismos psíquicos são acionados por vibrações do espírito, permanentemente, possibilitando um mergulho em nosso subconsciente, garimpando na memória registros armazenados em estado latente, trazendo-os à tona, ou seja, fazendo-os emergir à esfera do consciente para serem trabalhados, atualizados, sobrepujados (desenergizados) quando inferiores e potencializados se positivos, e, novamente devolvidos (gravados) em nossa memória (subconsciente). O papel do nosso consciente, quando solicitado a trabalhar e deliberar é, sobretudo, o de colher, comparar, analisar, concatenar, escolher, atualizar e registrar novas versões de ideias, imagens, dados, informações e conhecimentos em nossa memória, que é uma das funcionalidades do subconsciente.
Resultado deste estudo. Buscou-se com a aplicação do método comparativo (válido em ciência), fazer o batimento do que afirmam as áreas do conhecimento “neurociência” e “filosofia racionalista cristã” sobre a memória, com a finalidade de verificar semelhanças e divergências entre elas. Este estudo, através de evidências científicas e o que sustenta a filosofia racionalista cristã, procurou responder à questão: a memória pode ou não ser apagada (perdida)?
A ciência em suas investigações e a filosofia racionalista cristã através de seus estudos e de sua consistente e vasta literatura corroboram quanto às evidências científicas de que a memória jamais é perdida (apagada), ela apenas fica inacessível em determinadas condições devido a falhas ou falta de ação em recuperar, lembrar, o que está armazenado.
O que pode acontecer é a perda temporária ou definitiva da capacidade de busca (mecanismo de recuperação) das informações, conhecimentos e experiências registradas na memória, devido a barreiras que são disfunções, anomalias, enfermidades de ordem física e/ou psíquica (metafísica) que se transpostas ou corrigidas parcial ou totalmente permitem, novamente, respectivamente o acesso parcial ou total à memória.
A ciência está convicta que a descoberta do fato de que as vítimas de Alzheimer formam memória, é promissora. A filosofia racionalista cristã afirma que o conhecimento integral da natureza do homem como Força (espírito) e Matéria (corpos fluídico e físico) deve ser o ponto de partida de todo o raciocínio em ciências médicas e, também, nas outras áreas do conhecimento científico.

