O orgulho

Edith Irsigler

Este título me faz lembrar pessoas cheias de si, orgulhosas, vaidosas, que acham que o mundo somente gira em torno delas e que só se deveria falar com a “plebe” quando se precisasse falar dela. Fora disso não conhecem mais ninguém nem se lembram de que sem a colaboração dos outros não seriam nada na vida.

O que é uma gota d’água, um grão de areia? Nada! Na verdade, uma gota d’água pode fazer algum estrago caindo sempre no mesmo lugar como um grãozinho de areia ou um pouco de terra no sapato ou no olho pode machucar, mas para realmente servir a um todo tem que ser em quantidade.

Muitas gotas de água são necessárias para formar um rio, um mar, ou caírem como chuva. É esta grande quantidade d’água que gera a energia e é o grande volume d’água que carrega um navio, é a grande quantidade de terra que produz tudo que o ser humano necessita para viver, e são muitos e muitos grãos de areia que formam a praia. Não é um tijolo que dá para fazer uma casa e sim milhares deles que dão um edifício. O que seria do engenheiro se não contasse com muitos homens para executar seu projeto, ou do industrial se não tivesse os operários.

O engenheiro pode sentir orgulho de haver construído um edifício, uma ponte, mas só o conseguiu com a colaboração de outras pessoas das mais diversas profissões, e com a colaboração da natureza, que forneceu o barro, a areia e as pedras.

Pensando em profundidade observamos que tudo que nos cerca só pode ser feito com a colaboração de muitos. Então, para que esse narcisismo, esta vaidade exagerada, esta idolatria? Sozinhos não somos nada. Nós precisamos uns dos outros. Se alguém saiu vitorioso em alguma coisa, só o foi porque muitos acompanharam e apoiaram.

Podemos alegrar-nos com os êxitos conseguidos, mas não nos podemos esquecer de ser gratos a quem nos ajudou e que merece, por isso, ao menos um pouco de gratidão.

Publicado em 19 de novembro de 1983