A ideia de que o início de um novo ano marca um período singularmente significativo está presente em muitas culturas e se difunde em todos os quadrantes do mundo. Na verdade, o entusiasmo que espontaneamente surge nessa época do ano nos fornece uma excelente ocasião para traçar metas e objetivos, renovar votos e esperanças e adequar comportamentos e condutas. Tal constatação fundamenta e dá sentido à presente reflexão, com a qual inauguramos um novo período de reflexões espiritualistas com base nos ensinamentos do Racionalismo Cristão>fraternais e frutíferos aprendizados.
No início de um novo ano, é importante relembrarmos a importância de manter os pés firmes no solo da realidade, afastando-nos de ilusões e fantasias e cultivando, ao mesmo tempo, pensamentos positivos e altivos, pois é por meio deles que nos fortalecemos para enfrentar condignamente as adversidades e vicissitudes que porventura sobrevenham nos próximos meses. De fato, a aliança entre o senso da realidade e a arte de bem pensar continuará a ser não apenas uma excepcional reação ao pessimismo paralisante, mas também uma importante ferramenta para a consecução dos objetivos e o sucesso dos empreendimentos.
O que realmente diferencia uma pessoa que sabe pensar com elevação e convicção de um ser desatento aos próprios pensamentos é a capacidade da primeira de potencializar os talentos inatos e adquiridos e de tomar boas e acertadas decisões.
A arte de bem pensar, por nós constantemente mencionada, não consiste tão somente em pensar com rigor, eficiência ou precisão, mas também em pensar de forma ampliada, integradora, inclusiva e, sobretudo, benfazeja.
Sem disciplina – reiteradas vezes temos afirmado –, não alcançaremos nossos objetivos, de curto, médio ou longo prazo. Todavia, há que mencionar que todo empenho no sentido de sermos disciplinados e atentos aos deveres e responsabilidades que nos tocam é fortemente recompensado pela liberdade de que gozamos e pela força moral que absorvemos da consciência de ter bem cumprido com as tarefas e deveres que assumimos.
O fracasso e a frustração, arquiconhecidos dos indisciplinados e pusilânimes, jamais têm espaço na vida do ser humano espiritualmente esclarecido, a quem, mesmo em meio às turbulências existenciais, a disciplina restitui o primado da razão e do bom senso.
O processo de amadurecimento espiritual e de conquista de ideais não é isento de desgastes e riscos, incongruências e contradições. Sem dúvida, há momentos difíceis, perspectivas desanimadoras e obstáculos inesperados ao longo do itinerário de desenvolvimento espiritual em que estamos inseridos. Certo é, no entanto, que só vencem aqueles que, com disciplina e método, implementam na vida cotidiana os magníficos princípios espiritualistas do amor ao trabalho, da prudência, da moderação, do equilíbrio, da solidariedade, do comedimento, do benquerer e do respeito a si mesmos, ao próximo e aos ciclos da vida, princípios esses tão enfatizados pelo Racionalismo Cristão.
Amigos, não há dúvida de que, com a larga visão que adquirimos ao estudar e praticar os princípios racionalistas cristãos, que nos livram das nefastas influências do materialismo alienador e despersonalizante, somada ao equilíbrio e à coragem que nos distinguem, percorreremos os meses que temos pela frente de maneira digna e honrosa, unidos, sim, uns aos outros pelos laços de respeito e admiração, mas ligados sobretudo aos valores com os quais nos identificamos e que nos garantirão um novo ano próspero e vitorioso.
Ao longo desta reflexão, abordamos diversos temas relativos aos estudos filosófico-espiritualistas propostos pelo Racionalismo Cristão, conteúdos que nos estimulam e impulsionam a conquistas e desenvolvimentos cada vez mais consistentes, tendo por fundamento a arte de bem pensar.
Sabemos do enorme poder que têm os pensamentos, e tal conhecimento nos impõe uma grave responsabilidade: a de pensar constantemente de forma favorável e positiva em favor da humanidade, para que o equilíbrio seja a tônica das relações, para que o respeito impere nas famílias, para que o bem se estabeleça na sociedade, enfim, para que a luz se faça na mente daqueles que governam povos e nações, de modo que as tensões internacionais, que tanto desequilíbrio trazem ao mundo, se dissolvam e todos compreendam definitivamente que somos interdependentes e vivenciamos neste mundo várias etapas de um longo processo evolutivo, visto que nossa essência é espiritual e eterna. Eis, em síntese, nossa missão e desejo para este ano que se inicia.

