”Ao localizar o princípio de tudo numa Vontade única e irracional, subordinando a ela o ser humano, Schopenhauer elaborou uma ‘filosofia do pessimismo’, em que o ser humano, iludido pelas aparências das coisas, está fadado ao sofrimento”, diz um historiador do pensamento filosófico.
Filho de pais ricos e cultos, Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, nasceu em 22 de fevereiro de 1788, em Danzig, e faleceu em Frankfurt, em 21 de setembro de 1860, aos 72 anos.
Com formação inicial em negócios, ele abandonou a carreira mercantil para se dedicar aos estudos. Concluiu seu doutorado em filosofia em 1813 e publicou sua obra mais famosa, O Mundo como Vontade e Representação, em 1818. Sua filosofia se desenvolveu, em grande parte, como crítica ao racionalismo de Hegel e outros pensadores.
Schopenhauer viveu a maior parte de sua existência em Frankfurt, para onde se mudou em 1831, fugindo de uma epidemia de cólera em Berlim.
Passou seus últimos anos escrevendo e dedicando seu tempo à música e ao convívio com seu cachorro poodle, que o “ajudavam a aliviar o sofrimento da existência”.
O Mundo como Vontade e representação. Para Schopenhauer, o mundo é dual. Ou seja, é uma “representação”, percebida pela mente, e uma “Vontade” (com V maiúsculo), força cósmica universal, a “coisa em si”, cega, irracional e insaciável, que impulsiona o mundo, que permeia tudo e que é a causa do sofrimento humano. A realidade que experimentamos é a manifestação da Vontade.
É o desejo universal pela existência, diz o filósofo, que leva à busca incessante por satisfação, o que resulta em um ciclo de sofrimento, e só a renúncia à Vontade como também a arte (principalmente a música) e a compaixão podem oferecer ao ser humano alívio temporário ou completa libertação da dor.
A Vontade na natureza. Schopenhauer defende que a Vontade é a essência fundamental e cega de toda a existência, uma força irracional que impulsiona o mundo e todos os seres. Ele argumenta que essa mesma Vontade que vemos nos desejos humanos se manifesta em toda a natureza; afirma também que o intelecto é apenas um instrumento a serviço dessa força, para garantir sua sobrevivência e perpetuação.
O amor. Para Schopenhauer, o amor é a manifestação da vontade de vida, uma força cósmica cega que impulsiona o ser humano à reprodução e que é fonte de sofrimento e instabilidade, uma vez que atende ao propósito da Vontade de continuar existindo e não ao de ser feliz individualmente.
Imensa influência. Seria em razão da amplitude de suas ideias sobre a Vontade, a representação e a natureza do sofrimento humano que a filosofia de Schopenhauer haveria de exercer imensa influência não só no campo campo da filosofia como também nas áreas da ciência, da literatura e demais artes.
Isso é comprovado na lista abaixo, com nomes de eminentes e históricos pensadores, cientistas, escritores e outros artistas influenciados por Schopenhauer.
Ei-los: Friedrich Nietzsche, filósofo; Sigmund Freud, pai da psicanálise; Albert Einstein, cientista e filósofo; Erwin Schrödinger, também cientista e filósofo; Carl Jung, psiquiatra fundador da psicologia analítica; Edmund Husserl, filósofo que fundou a fenomenologia; Martin Heidegger e Ludwig Wittgenstein, os dois maiores pensadores do século XX; Richard Wagner, compositor; Mark Rothko, pintor; Ingmar Bergman, cineasta; e os escritores Leon Tolstoy, Thomas Mann e Machado de Assis.
Principais obras de Schopenhauer. O Mundo como Vontade e Representação (considerada sua obra-prima); Sobre a Vontade na natureza; Sobre a quádrupla raiz do princípio da razão suficiente; Parerga e Paralipomena; Dores do mundo; e A arte de lidar com as mulheres.

