Um carro, em rigor, não é sinônimo de felicidade, talvez seja apenas veículo de deslocamento, complemento profissional. E, na verdade, um automóvel torna feliz e realizada muita gente.
Uma piscina particular não é garantia de felicidade. Um bom mergulho, no entanto, ao final de um dia agitado e sufocante, pode acrescentar bem-estar na vida de qualquer cidadão. Pequenos detalhes, não raro, se tornam fundamentais.
Na difícil e complexa engenharia da felicidade, algumas pessoas insistem demais nos detalhes, nos objetos, nos valores externos, esquecendo o essencial: os valores internos. Outros buscam longe o que está perto. A criança fala:
– Quando eu crescer, serei um cidadão feliz.
Já crescidos – Quando eu me casar, serei uma criatura realizada.
Os casados comentam:
– Quando eu me aposentar, desfrutarei a paz, os louros de meu trabalho, das minhas canseiras.
É aquela velha história de colocar a felicidade sempre em outro lugar. De alongar os braços para horizontes distantes, quando a felicidade está próxima, ao nosso lado, dentro de nós.
Felicidade, em grande parte, é uma atitude de espírito. Suas raízes mais fundas estão em nosso íntimo, e não fora de nós. Para o engraxate da esquina, R$ 20, no fim do dia, representam uma quase-fortuna. Para o empresário, R$ 2 milhões talvez sejam pouco, porque seus parâmetros são outros.
Felicidade é aprendizado, conquista diária, tarefa de vida inteira. O pássaro não constrói seu ninho em dez minutos, em duas horas. Todo o processo é lento, reclama tempo, exige esforço, amadurecimento, suor da fronte, tenacidade.
Não temos direito à felicidade, se não a criarmos à nossa volta. Felicidade partilhada, repartida: alegria dobrada, nas estradas da vida. E parafraseando o poeta indiano Rabin-dranath Tagore, concluiu alegre, agradecido.
A folha, quando desabrocha, torna-se fruto.
O homem, quando assume a vida, com amor, sorri, desabrochando, porque se torna fruto, se torna flor.
Publicado em fevereiro de 1998.

