A vida neste nosso mundo-escola é plena de altos e baixos. De um lado, podemos viver momentos felizes e prósperos e, de outro, enfrentar as adversidades que nos desafiam constantemente. No tema anterior, mostramos a necessidade de ajustarmos a nossa personalidade dentro dos limites estabelecidos pelo modo introversão e modo extroversão, já que ninguém é totalmente introvertido ou somente extrovertido. Alguma alteridade sempre existe dentro desses limites.
Nós, também, falamos da existência de uma classificação das personalidades segundo os estudos de Myers-Briggs Type Indicator (MBTI), baseada nos estudos do psicólogo suíço Carl Gustav Jung (1875-1961). Essa classificação leva em conta a existência de 16 tipos de personalidades, sendo 8 tipos para personalidades introvertidas e 8 tipos para personalidades extrovertidas.
Relevância da classificação. Cabem aqui umas poucas palavras sobre Isabel Briggs (1897-1980) que foi uma cientista política americana. Ela deu continuidade aos trabalhos de sua mãe Katharine Cook Briggs (1875–1968), entusiasmada leitora dos trabalhos de Carl Jung, no desenvolvimento do sistema de indicação de personalidades que ficou conhecido como “indicador de Tipo Myers-Briggs (MBTI)”. Este sistema de identificação de personalidades, como dissemos acima, foi baseado na teoria dos tipos psicológicos de Carl Jung (introversão/extroversão, sensação/intuição, pensamento/sentimento). Importante acrescentar que este sistema tem o objetivo de orientar as pessoas a se conhecerem melhor e facilitar encontrarem funções mais adequadas em suas vidas profissionais. Em resumo, Myers e Briggs foram pioneiras no desenvolvimento da tipologia das personalidades, transformando as ideias de Jung em um instrumento prático para o autoconhecimento e a compreensão das diferenças individuais. Sugerimos aos leitores fazerem uma pesquisa sobre Myers & Briggs Foundation no Google para obterem mais informações.
Os introvertidos. Interessante notar que a palavra introvertido significa “verter para dentro”, assim como, a palavra extrovertido significa “verter para fora”. Essas pessoas, os introvertidos, têm o foco de suas cogitações e atividades orientado para o mundo interior. Nelas preponderam os pensamentos, sentimentos e percepções direcionados para a compreensão de si mesmos. Daí, podermos afirmar que tais pessoas são predominantemente introspectivas e independentes. Além disso, desenvolvem habilidades e conhecimentos internos. Sendo pessoas reservadas, não devemos confundir os introvertidos como pessoas tímidas, nem como pessoas conservadoras. Mas, fica o saber de Jung que ninguém tem somente um tipo de percepção, mas a predominância de uma sobre a outra, já que os ambivertidos são mais raros, tendem à autoconservação antes de se relacionar com o outro.
É necessário notar que os tipos psicológicos são de natureza consciente, não inconsciente. As relações humanas são, também, relacionadas com a consciência. Dessa forma, os tipos introvertidos e extrovertidos são a forma como as pessoas encontram para se relacionar com o mundo interior e exterior.
Cabe, também, notar que nos introvertidos as opiniões de natureza subjetiva se interpõem entre a percepção do objeto e a forma de agir. Aqui, as atitudes acontecerão sempre a partir da opinião subjetiva e não do objeto, já que a opinião subjetiva é embasada por uma vivência subjetiva. Isso significa que nos introvertidos existe um aprofundamento da experiência mental e, também, uma forma de superar a reduzida relação com o objeto, como uma forma alternativa, transferindo-a para o seu interior. Trata-se de reforçar o conhecimento mental com o conhecimento prático resultante dos fatos externos. Concluindo, podemos afirmar que apesar de ser muito válida a expressão “não há substituto para a experiência”, a substituição por ação psicológica da pessoa introvertida não invalida o trabalho criativo de muitos filósofos e cientistas, como é conhecido o caso de Einstein que imaginou estar viajando num foguete à velocidade de luz e nos legou uma nova concepção da lei da gravidade anteriormente estabelecida por Newton.
Nessa comparação de propósitos tipológicos sobre as personalidades não se trata de estabelecer qual é o melhor, mas aceitar as tendências inatas nas pessoas e tirar o melhor de suas tendências seja para os extrovertidos como para os introvertidos. Do contrário, estaríamos impondo à nossa consciência algo forçado, que pode trazer consequências psicológicas. É um perde-e-ganha sem vencedores. Não se pode aceitar uma vinculação forçada incondicional.
Características gerais dos introvertidos. Os introvertidos apresentam as seguintes características:
l Possuem alta energia psíquica que recarregam em ambientes calmos.
l Vibram seus pensamentos e atividades com o foco no mundo interior.
l Têm necessidade de aproveitar o tempo para processar e se reenergizar.
l Possuem comportamento reservado e têm poucos amigos.
l Parecem tímidos ou inseguros, mas isso é falso, é só aparência.
l Nenhuma personalidade tem mais valor que a outra. Tanto os introvertidos como os extrovertidos são valiosos para si e para as sociedades onde atuam.
Conclusão. Concluímos que há uma complementaridade visível entre os tipos junguianos dos introvertidos e extrovertidos. Daí porque, devemos valorizar as diversidades de personalidades que observamos em todas as pessoas no nosso dia a dia. Em resumo, ninguém é somente introvertido nem extrovertidos sendo estes tipos verdadeiros limites, mas não limitantes para os ambivertidos que conseguem alternar entre esses limites com sucesso em ambos. Isso chama-se alteridade!

