Racionalistas cristãos comemoraram, com muita alegria, os 69 anos do majestoso prédio localizado na Rua Jorge
Rudge, 119, Vila Isabel, Rio de Janeiro, que serve de sede mundial do Racionalismo Cristão, inaugurado em 20 de outubro de 1956. Segundo o presidente mundial do RC, Gilberto Silva, o confortável prédio é símbolo de uma visão de mundo idealista e abrangente, é reflexo da vontade e dos atos de valorosos gigantes da espiritualidade.
Na solenidade comemorativa, Gilberto Silva assim se dirigiu aos presentes: “Queridas amigas, prezados amigos, estimados jovens, ao ingressar nesta sede mundial, não apenas compartilhamos um espaço físico, mas nos reencontramos sob um propósito comum, elevado e nobre, cultivado nos recantos mais sublimes da consciência. Este não é um encontro qualquer: é uma convergência de almas movidas por ideais que transcendem o imediato. Mais do que uma referência arquitetônica, este ambiente se impõe como um lugar de clareza interior, no qual o tempo abranda, a percepção se apura e o sentido das coisas ganha profundidade.
Ao celebrar os 69 anos de existência deste monumento à liberdade, não prestamos homenagem somente ao marco inaugural que lhe deu forma, mas sobretudo à permanência dos princípios que o legitimam.
O que aqui se realiza é singular em sua essência: são momentos de esclarecimento e fortalecimento espiritual, que convidam à lucidez, à introspecção e à presença atenta.
Cada elemento – da arquitetura sóbria à harmonia dos espaços – parece ter sido concebido para favorecer o recolhimento sereno e o despertar interior.
Tudo o que nos envolve – o silêncio respeitoso, a cordialidade nos gestos, a serenidade refletida nos rostos – compõe
uma atmosfera que eleva. E essa elevação não provém de artifícios exteriores, mas da vivência discreta e contínua de valores que se revelam nas atitudes mais simples. É neste ambiente que tantas almas abnegadas, como nossos militantes, têm ofertado o melhor de si com humildade, firmeza e coragem. São eles os verdadeiros alicerces vivos desta obra. Quem busca o sublime não teme o esforço. A alma que anseia pela luz já guarda em si uma centelha de claridade, ainda que velada. E é essa luz – por vezes sutil, por vezes intensa – que se acende ao contato com a atmosfera deste lugar. Pois onde há sentido, há valor; onde o valor é vivido com coerência, ali se estabelece permanência; e da permanência brota o legado.
Comparo esta sede mundial a um jardim que floresce em meio ao deserto da indiferença e do materialismo próprios da sociedade contemporânea. Aqui, os dias não simplesmente transcorrem, mas amadurecem; os gestos não se acumulam, mas frutificam. Em cada ação quotidiana, germinam sementes de discernimento, firmeza, singeleza e generosidade.
O vigor silencioso dos que aqui trabalham com humildade e resiliência, a lucidez que orienta decisões ponderadas,
a sobriedade que permeia palavras e silêncios – tudo compõe um cenário em que se aprende não por imposição, mas
por inspiração.
Celebrar os 69 anos desta sede é, portanto, mais do que recordar um percurso: é renovar, com alma desperta e
consciência plena, o compromisso com um ideal que dignifica a existência. Um compromisso com a ética que se pratica, com o saber que se compartilha, com a fraternidade que se constrói em silêncio e constância. Um ideal que nos chama a ser mais íntegros, mais sensíveis e mais atentos às demandas evolutivas do espírito e às dores do mundo.
Agradeço, sinceramente, a cada um de vocês por participarem deste momento de reflexão e congraçamento: autêntica festa espiritual. Que esta ocasião, mais que uma lembrança, seja um impulso; mais que uma celebração, seja um chamado. E que possamos seguir juntos honrando a memória desta Casa com a dignidade, o entusiasmo e a coerência que ela tão generosamente inspira.”
Além do presidente do Racionalismo Cristão, Gilberto Silva, discursou, na solenidade comemorativa do aniversário de 69 anos da Sede Mundial do Racionalismo Cristão o diretor-bibliotecário da Casa, Jefferson Cunha, destacando que o evento “nos estende e faz lembrar as primeiras percepções da vida que tivemos no recôndito de nossos lares. Lá, como aqui, a construção envolveu cimento, pedra, areia, tijolo e, de igual forma, nos abrigou das tênues ou espessas emoções do mundo contemporâneo ou antigo”.
Afirmou Jefferson Cunha que “a imagem desses prédios – do RC e de nossas casas – assinala a inteligência do ser humano: edifica um espaço passivo que separa os momentos de maior intimidade do ser consigo mesmo daquele que registra as trepidações de máquinas, de gestos pessoais e do vozerio frenético, frente às solicitações de um mundo que não se cansa de apresentar causas e efeitos.
Aqui estamos na companhia de pessoas que chegaram há muito tempo, outras mais recentes; umas se juntaram ao corpo de militantes espiritualistas, outras intencionam esse objetivo, e outras tantas se confortam em desfrutar dos momentos proporcionados pela elevação espiritual dentro de um recinto amplo, confortável, seguro, no qual se aprende a confiar das mais diversas formas e a perceber que, nesses instantes, algo de diferente se manifesta com placidez. E foi exatamente assim que tudo começou: foi lá, em nossas casas – amplas ou diminutas, modernas ou antigas, ricas ou modestas – que, nos instantes de maior serenidade, germinou a ideia de avançarmos no conhecimento mais profundo sobre nossa real finalidade neste mundo. Daí, organizar a vinda à casa racionalista cristã foi mera atitude de referência.
O acerto da decisão refletiu inicialmente a imagem desta Casa, para depois ver-se acomodado em suas fileiras a participar das reuniões espiritualistas. É certo que, em variados momentos da vida, a opção de estar numa reunião de nossa Casa se origina em ambientes coletivos, mas é certo também que os contornos deste edifício preenchem o pensamento e servem de direção a ser percorrida. No campo do transcendente, a necessidade de um marco físico, como o das instalações da sede mundial, é importantíssima, mas o cerne da escolha se submete ao crivo do raciocínio límpido sobre o que se vai encontrar no interior daquela estrutura pesada, mas harmonicamente distribuída, a fim de oferecer sutileza por debaixo de rígidas paredes, que por instantes nos distanciam das interações de um mundo alegre ou triste.
Se a inspiração inicial que nos trouxe até aqui partiu de nossos pais, de amigos ou de interesse próprio por meio de estudos, o certo é que se precisava de um método que abraçasse essa causa, essa ideia; e assim foi concebida a vinda das pessoas a esse gigante aparentemente passivo – porque a ciência nos ensina que o material trabalha continuamente – para que possam conviver de perto com os ensinamentos do Racionalismo Cristão. Assim, torna-se falível qualquer pretensão de “fazer uma só vez”: não, isso não é possível.
A necessidade de conservação nos faz manter o contato permanente com esse emaranhado de materiais que, há 69 anos, finalizou um período para ser construído.
Ao longo do tempo, solidificaram-se com maior intensidade, na mente de nosso público, seus espaços: jardins, livraria, salão, sala das crianças, estrado, biblioteca, museu, estacionamento – todas as comodidades oferecidas a qualquer pessoa que busque conhecer o tema de nossas atividades: a evolução do espírito.
Dezenas de homens e mulheres – alguns com seus filhos – juntaram-se num mutirão de solidariedade e compromisso com a humanidade, doando riquezas de patrimônio espiritual e material, para, enfim, verem erguida a Sede Mundial do RC. Seria compreensível, mas não se descortinou traço de orgulho naquelas pessoas; ao contrário: estavam jubilosas pelo que dali em diante poderiam oferecer a mais para a sociedade. E assim aconteceu em nossos lares, quando tudo se iniciou pela vontade de buscar maiores conhecimentos. Se bem analisada, a Casa que hoje se denomina sede do RC em âmbito global exprime, de certa forma, o recanto mais precioso que temos: o aconchego do nosso lar.
Atravessam-se décadas de proveito coletivo, em que as necessidades de evolução espiritual das pessoas tornaram-se absoluta prioridade nas atividades desenvolvidas nesta Casa. Atualmente, vê-se o trabalho de sua divulgação ser complementado pelas mídias sociais, que em muito adicionam conteúdo informativo sobre o “calor” humano e espiritual experimentados nas reuniões presenciais. E assim permanecerá anos afora, porque, antes mesmo dos traçados geométricos que confeccionaram a planta deste edifício, brilhava no íntimo de cada um dos envolvidos a chama do amor, vibrada em pensamento, agindo naquela época de terreno vazio como ainda hoje age debaixo dos luminosos e potentes holofotes que iluminam as passadas daqueles que veem no fortalecimento e esclarecimento espirituais o ritmo certo para se viver neste mundo.
É dessa forma simples, mas com infinita visão de bem-querer aos seres humanos, que homenageamos aqueles que, de alguma forma, trabalharam e trabalham pela obra e manutenção da Sede Mundial do Racionalismo Cristão.

