Terra, escola rigorosa

Desculpe-me pelo exagero. Um modesto recado para quem crê: para os seres humanos, cada instante vivido tem sempre uma valia inestimável. Aqui somos todos aprendizes de uma escola que precisa aceitar a diversidade, porque ela é enriquecedora. Até porque cada um traz consigo um cabedal de experiências passadas, cujas características são sempre peculiares. Dessa forma, processa-se a nossa tão almejada evolução espiritual.

Não podemos confundir sucesso material com sucesso espiritual, embora não haja incompatibilidade entre ambos, desde que as leis evolutivas – que não preceituam qualquer forma de discriminação – sejam respeitadas, e que todos, durante nossa estada neste mundo, possamos vislumbrar um conforto material, sem exageros, e saibamos dividi-lo com os nossos semelhantes, que, em princípio, também merecem desfrutá-lo.

Enfim, a felicidade, na ótica lato sensu, é um direito de todos; portanto, nesse tema não se pode adotar uma visão egoísta. Há instituições que propagam de forma exaustiva – e das quais somos signatários – o lema de que, em essência, todos somos irmãos. Todos somos providos de atributos enaltecedores, uns em maior grau, outros em menor. A lapidação desses atributos se dá por meio da busca incessante e escorreita de vivências neste planeta-escola e, por conseguinte, de aprendizado.

A pretensão à perfeição não tem lugar neste nosso ambiente. Tudo deve ocorrer de forma coerente e de acordo com as referidas leis evolutivas, com plena aderência ao processo evolutivo de todos nós. O direito de sonhar é amplo e irrestrito e, como a utopia é o combustível dos grandes sonhos, haverá um dia em que os princípios das ciências que estudam a espiritualidade se tornarão lugar comum no planeta Terra. Contudo, como nos ensina a História, a evolução espiritual não admite saltos: segue o mesmo princípio gradual.

Não há motivo, portanto, para posturas que nos conduzam ao desânimo, pois a estrada dessa evolução – seja ela íngreme ou mais suave – deverá ser percorrida. Ter clareza de pensamentos voltados para o bem representa o limiar das ações meritórias. A disciplina necessária para isso tem valor inestimável.

É certo que estamos acumulando um cabedal, um patrimônio espiritual cujo conforto e alegria ajudam a consolidar créditos para a nossa preciosa evolução, que deve ser sempre o objetivo primordial e final de todos os seres humanos. Há publicações que demonstram de forma clara – e como verdadeiro axioma – a relação entre causa e efeito, que se processa tanto na vida material quanto na espiritual. Podemos designá-la como um artigo pétreo das leis naturais, absolutas e imutáveis, blindadas a qualquer tipo de privilégio.

Todos somos iguais perante essas leis, que não propagam o ultrapassado conceito de destino e castigo. A égide que orienta o ser humano é a do livre-arbítrio, por uma questão de coerência. Não existem armadilhas em nossa caminhada como seres humanos nem na eternidade do espírito. Muitas vezes, temos a tendência de culpar outrem pelos nossos próprios fracassos.

É evidente que a ótica da solidariedade deve ser uma das tônicas a prevalecer nas relações humanas, sem que isso se torne incentivo à indolência. O mundo está repleto de exemplos altruísticos de pessoas e instituições de ajuda humanitária; torna-se desnecessário citá-los, pois a lista é imensa. Muitos atuam de forma silenciosa, desprovida de alarde, cumprindo exemplarmente sua função social tanto no campo material quanto no espiritual.

Haverá um dia em que a filosofia racionalista cristã terá com um número considerável de praticantes. A prática da vida no plano terreno demonstra que o ser humano precisa estar sob o amparo de leis para cumprir determinados preceitos e, muitas vezes, ser impedido de cometer atos de violência contra o semelhante. É comum, por vezes, passar ileso às leis humanas; porém, nas leis evolutivas isso não é possível, pelas características óbvias que não concedem favorecimentos a ninguém.

A Terra é habitada por seres falíveis, que aqui se encontram para adquirir a tão desejada evolução espiritual e que estão sob o crivo dessas leis. É preciso ter clareza de que nossa estada representa um estágio de desenvolvimento espiritual e transmite a mensagem de que não há superioridade de um ser sobre o outro. Somos aquilo que, no momento, conseguimos ser, desprovidos de privilégios. O merecimento é individual.

A lógica da vida espiritual não necessita de avalistas em qualquer campo em que estejamos. Trata-se de algo belo, digno de admiração – sem fanatismo, mas com a prevalência da racionalidade desses pensamentos.