Queridos amigos e amigas, existem dias que são apenas números no calendário, e existem dias que marcam indelevelmente a nossa alma. Eles não passam — eles ficam. Hoje é um desses momentos raros em que o tempo parece desacelerar, dando-nos a chance de olhar para dentro de nós mesmos, para a nossa caminhada e para o verdadeiro sentido de estarmos aqui na sede mundial do Racionalismo Cristão.
Não estamos reunidos apenas para lembrar uma data histórica. Estamos aqui para afirmar, com convicção e responsabilidade, que a vida é muito mais do que aquilo que vemos na superfície. O ser humano não é feito apenas de matéria. Existe em nós uma dimensão maior — invisível aos olhos, mas clara para a razão esclarecida — que nos chama incessantemente à superação, ao autodomínio e à elevação espiritual.
Assim iniciou o presidente do Racionalismo Cristão seu pronunciamento a propósito do Dia da Espiritualidade e do 116º aniversário dessa filosofia espiritualista. Antes, porém, respondeu a indagação do bibliotecário da Sede Mundial, Jefferson Cunha, que, abordando a resposta, perguntou se tinha dado certo o trabalho de pesquisa e preparação do livro sobre Luiz Thomaz: “Muito bom, parabéns pelo trabalho!”
Gilberto Silva deu mais alguns detalhes sobre a publicação: “160 páginas, com 60 orientações que foram selecionadas, capa novamente é de Roberto Renner, militante espiritualista da Filial Teresópolis, que tem colaborado conosco. E, dessa vez, ele inovou. Esta capa está com verniz High Gloss, é muito linda. Outra coisa, é um papel especial, é um Polen Bold 90 gramas, porque Luiz Thomaz merece, embora ele tivesse aqui fisicamente não ia gostar, porque é mais caro.”
Voltemos ao discurso do presidente: “Vivemos numa época de muita pressa, onde tudo é para ontem e a nossa atenção vive dispersa. Nesse cenário, parar um dia para celebrar a espiritualidade é um ato de lucidez, ouso dizer, de coragem e de justiça.
É uma forma de lembrar que o verdadeiro progresso não é acumular coisas ou títulos, mas sim a capacidade de organizar o nosso mundo interior, de cuidar dos nossos pensamentos e de agir com dignidade e ética.
A espiritualidade verdadeira não serve para fugir da realidade. Ao contrário, ela nos ajuda a viver a realidade com mais presença e clareza. Ela não nos deixa fracos; ela nos fortalece. Ela não substitui o esforço pessoal, mas dá uma direção para ele.
Amigos, o materialismo promete felicidade, mas muitas vezes entrega frustração, que exalta a posse, mas empobrece o ser; que domina consciências e promove o desequilíbrio interior. A nossa filosofia, ao devolver o eixo, sentido e consciência do próprio valor do ser humano, restaura sua dignidade espiritual.
Por isso, faz todo sentido celebrarmos o aniversário de nossa Filosofia junto com o Dia da Espiritualidade. Não é coincidência; é uma conexão profunda de ideias que se complementam.
Celebrar uma Filosofia que propõe a esclarecer consciências é reconhecer que o ser humano não é vítima do destino nem está condenado a repetir indefinidamente os mesmos erros. Cada pessoa carrega dentro de si um tesouro inestimável — seus atributos espirituais — e, quando aprende a utilizar esse patrimônio espiritual com disciplina e sabedoria, se torna mais equilibrada e capaz de construir coisas boas para si e para o mundo.
Quando, porém, se esquece desse patrimônio espiritual, os efeitos são claros: fica ansiosa, imediatista e dependente demais da opinião dos outros. Fica apenas no passageiro, empobrece a mente humana. A espiritualidade traz profundidade, ordem e rumo para a vida.
Este encontro, portanto, é um convite. Ele nos chama a assumir um compromisso sério: vigiar nossos pensamentos, elevar nossos valores e agir com responsabilidade. A espiritualidade que celebramos hoje não pode ficar só nas palavras bonitas. Ela precisa transformar-se em atitude, em trabalho honesto e esforço diário e silencioso para superarmos nossas falhas.
Que cada um de nós saia hoje da sede mundial do Racionalismo Cristão não apenas fortalecido e emocionado, mas comprometido e decidido a ter mais clareza de pensamento, disciplina na vida e a praticar o bem — aquele bem que a gente faz longe dos aplausos, mas perto da nossa consciência. Se fizermos isso, esta celebração não será apenas uma lembrança bonita, mas um verdadeiro marco: o dia em que decidimos caminhar com mais firmeza em direção à nossa própria evolução.
Que a luz do esclarecimento espiritual continue a iluminar nossos pensamentos, a fortalecer nossas decisões e a dignificar nossas ações — hoje, amanhã e sempre!”

