A sede mundial do Racionalismo Cristão lançou, na reunião comemorativa do 116º aniversário de fundação dessa filosofia espiritualista e do Dia da Espiritualidade, em janeiro, o oitavo título da série Clássicos do Racionalismo Cristão, agora uma homenagem a Luiz Thomaz, empreendedor parceiro de Luiz de Mattos na árdua tarefa de fundar a filosofia. O presidente Gilberto Silva historiou a sequência de lançamentos da série e o bibliotecário da Sede Mundial, Jefferson Cunha, detalhou o trabalho de pesquisa e organização dos dados coletados desde a casa racionalista cristã de Santos (São Paulo), cuja construção Luiz Thomaz patrocinou.
A realização de um sonho. Ao dar início à reunião comemorativa do Dia da Espiritualidade e dos 116 anos do Racionalismo Cristão, o presidente Gilberto Silva lembrou que, naquela data, todas as casas racionalistas cristãs estavam focadas em igual intenção.
Em seguida, quase com euforia, apresentou o mais recente lançamento literário da Sede Mundial: “Era um sonho nosso podermos lançar hoje uma obra com a qual nós há muito tempo ansiávamos, que é o livro Clássicos do Racionalismo Cristão, volume 8, Luiz Thomaz.
Gilberto Silva lembrou que a coleção Clássicos do Racionalismo Cristão foi criada por Humberto Rodrigues no final dos anos 1990, e explicou que “ele imaginou que poderíamos ter, então, a palavra, as orientações, os conselhos, como se falava antigamente, dos grandes mestres, para que aquilo não se perdesse jamais.” O primeiro foi Clássicos de Luiz de Mattos. No final de 2009, por aí, resgatamos a ideia da coleção e selecionamos 60 Orientações de Luiz de Mattos e publicamos o Clássicos Volume 2, que todos conhecem. Depois, ansiávamos por trazer a lume Luiz Thomaz. Estivemos em Santos várias vezes, porque Luiz Thomaz foi presidente astral da Filial Santos durante muito tempo, de 1931-32 até 2006, quando foi substituído por Roberto Dias Lopes, mas infelizmente, mesmo pesquisando lá em Santos, nós não conseguimos obter as Orientações que queríamos trazer para essa coleção.
Nesse volume 2, conseguimos, entrevistando Humberto Rodrigues, escrever o prefácio do livro. O prefácio é dele, mas foi através de uma entrevista. Ele falando dos clássicos, respondendo às nossas perguntas e aí tiramos as perguntas e ficou o prefácio, mas como não conseguimos, até 2013, nada de Luiz Thomaz, editamos o Clássicos de Maria Cottas, um sucesso imenso, virou, inclusive, CD na época. Depois, Clássicos de Antonio Cottas, em 2018. Em 2019, já tínhamos um volume de orientações de Humberto Rodrigues, que faleceu em 18 de abril de 2012. Assim, editamos o Clássicos, volume 5. Aí, novamente, Luiz de Mattos. Nesse volume 6 foram publicadas as últimas 60 orientações do grande mestre que nós conseguimos selecionar. Portanto, é uma relíquia esse volume 6.
“Em seguida, fizemos o Felino Alves de Jesus com o volume 7”, continuou Gilberto Silva, “e chegou a hora, então, de a gente lançar aqui o volume 8. Já posso prometer para vocês que, fazendo analogia com o futebol, pois quem marca gol no futebol é geralmente o camisa 9, é o centroavante, então, o volume 9 do Clássicos do Racionalismo Cristão será de um grande “centroavante” da espiritualidade, ou seja, de um espírito que marcou época dentro do Racionalismo Cristão, mas isso é segredo.
E, falando de futebol, Gilberto Silva passou a bola para Jefferson Cunha.
Foi muito trabalho, mas valeu a pena. Companheiros da militância, público em geral, tenho a responsabilidade da biblioteca e do museu. Então, tenho acesso mais fácil a todo material e começamos a fazer a busca pelas orientações de Luiz Thomaz.
Foi extremamente gratificante essa pesquisa por dois motivos: o aprofundamento dos ensinamentos de Luiz Thomaz – dezenas e dezenas de orientações recolhidas – e o aprendizado de como se elabora um livro como o Clássicos do Racionalismo Cristão. E ali começamos então a ver o que tínhamos pela frente.
Papéis de 1930, os senhores imaginam, são 90 anos aproximadamente, e a gente tendo que manusear e entender tudo que estava datilografado, mas, imaginem, são folhas com 80, 90 anos, e tem um detalhe muito importante: uma reunião pública não é igual a outra, e nós tínhamos que fazer uma avaliação de todos aqueles documentos.
Então, separamos dezenas de orientações e depois começamos a ler uma por uma. E um detalhe também muito peculiar que é o seguinte, muitas orientações, estruturalmente, parecem a mesma coisa. Os problemas dos seres humanos são basicamente os mesmos, relacionamento, trabalho, divididos pelas suas variadas vertentes. Então, algumas orientações as pessoas vão ler e ter a impressão de que já tiveram acesso a essa leitura.
Por exemplo, é muito comum, em todos os outros volumes, nós sempre explanarmos sobre os sofrimentos, os desafios, os problemas do mundo físico, as alegrias e por aí vai. Numa dessas orientações ele usava a palavra “simplicidade”. Que a simplicidade era uma mola propulsora para que o ser humano conquistasse as condições de construir sua família, edificar sua vida material, seus relacionamentos…
Em outra orientação, em que ele também começava abordando problemas existenciais, dificuldades, lutas, enfrentamentos, sofrimentos, ele usava essa palavra. Então muitos vão pegar e vão ter a impressão de que já leram aquilo. Mas aí tem uma seguinte situação, vejam como é muito peculiar esse trabalho que nós fizemos. Na parte final, a pessoa conquistou, a pessoa lutou, enfrentou e conseguiu.
A escolha de 60 orientações consumiu três meses de trabalho, ou foi um livro construído a seis mãos, a presidente, eu e o nosso vice-presidente, Joaquim Ferreira. E aí, amigos, ficou de fato uma obra que eu mesmo ainda não tinha visto.
Percebam que a leitura fica muito mais bem direcionada, a atenção vai ficar muito mais bem concentrada para, evidentemente, se identificar o que quer ser dito em cada orientação. Isso tudo foi um grande aprendizado para mim, eu nunca fiz um trabalho desse, foi a primeira vez e acredito que deu certo, não é, Gilberto?

