A vida na Terra é, sem a menor dúvida, de muitas lutas. A maioria das criaturas pensa, enganosamente, que veio à Terra para gozar e que tudo o que sofre não passa de uma cruel injustiça fortuita ou então dá como fator o destino… Ignora que o que padece é resultante do raciocínio falho e do mau uso do livre-arbítrio, pois somente a si cabe in totum a responsabilidade do que lhe acontece.
O transviamento no caminhar pela vida é que ocasiona o aparecimento desse acicate depurador e despertador de uma consciência adormecida; as mais das vezes produto de educação errada, tomando o jovem por certo o que é, de fato, errado. Nada lhe foi explicado com referência ao “para quê e por quê” viemos a este planeta depurador.
Muitos ignoram que a falta de moral, honestidade, lealdade e retidão no cumprimento dos deveres é o fator dos sofrimentos. Motivo destes existirem sempre, porquanto não há efeito sem uma causa que o produza.
O cumprimento dos deveres, a prudência nas ações, a honradez em tudo é um conjunto tão elevado que se lhe pode comparar a um fúlgido dilema que nos vem aureolar o espírito saneando os males e esparzindo-o de tranquilidade e paz.
Podemos comparar a vida terrena qual campo de experiências, cujos horizontes a se dilatarem ao bafejo da educação e apercebimento do que tange à espiritualidade. Ou a uma longa e pedregosa estrada, cujos saibros, pontiagudos, o viandante palmilhará até alcançar a meta desejada.
“Sentir a vida é viver, mas a consciência só se desperta pela dor. A alegria dos velhos é um mandamento da vida.” (Graça Aranha).
Em suma: uma luta firme, corajosa e honesta abre-nos, em par, as portas da felicidade. Ao contrário, a indolência, o desânimo, o proceder incorreto e até com resquícios de maldade atira-nos aos malogros, ao fracasso, ao martírio e deste à derrocada total. A primeira asserção, qual Sol fulgente, vivifica, entusiasma e alicerça a base do progresso, quer econômico, quer espiritual. Tomemos a segunda qual nuvem pejada e ameaçadora que nos eclipsa a mente, tolda a razão e aniquila tudo que de bem-estar presente e futuro nos poderia advir.
Publicado em 20 de abril de 1964 por Agnello Vitral

