A verdade surgirá

A verdade sobre qualquer coisa tem base no conhecimento científico, na razão e no bom senso. Não é formulação de princípio ilusório, fantasia para iludir desprevenidos e falhos de raciocínio. E a luz da razão que incide sobre tudo que se relaciona com o homem, suas atribuições e deveres, tendo como fundamento a moral, a honradez, a honestidade e o caráter.

De princípios verdadeiros é que todos necessitam. Sinceridade nas ações, amor ao trabalho, respeito aos seus semelhantes, solidariedade aos bons sentimentos, colaboração, enfim.

Mas, o que vemos é o homem enveredar por caminhos contraditórios, falsos e egoístas, criando para si e para outrem atmosfera insuportável.

As idéias que respeitam a verdade e pugnam pela justiça não poderão ser apagadas, nem relegadas a planos inferiores. Elas terão existência eterna no desenvolvimento espiritual e material do homem. O avanço da ciência liquidará os últimos vestígios de tudo que não tem base sólida na verdade. Muitos se dizem detentores dessa verdade, mas ela não pertence a ninguém, é universal, nem poderá servir a egoístas e prepotentes, senão transitoriamente. A estabilidade do que é construído sobre base verdadeira terá predominância sobre a mentira, o embuste ou outras quaisquer fórmulas de enganar, explorar e ludibriar a boa-fé

das criaturas. Chegará o dia em que ninguém atenderá aos apelos dos imorais, nem formará na sua fila, nem lhes dará apoio. Terão que evoluir se não quiserem ficar para trás, mergulhados no manto de negruras que constituiu a sua própria vida.

Muitas coisas estão mostrando que a evolução não para. O progresso é constante. Sente-se em tudo o sopro de idéias novas, de sentimentos outros que vão conduzindo a todos para o despertar dessa grande sonolência mental, na qual vivem sem se

aperceberem de que são escravos da mentira, do erro, do vício, das ilusões materialistas. Sair dessa grande noite de mistérios, de superstições é o caminho que está sendo indicado. Todos vivem presos a falsos princípios, de um passado retrógrado, sem movimento, acomodados ao peso das histórias de mil e uma noites, que apavoram e devoram tudo à menor reação. Não há bichos-papões, mas a mente humana é permeável ao desconhecido… Prefere as fórmulas feitas, que não exigem investigações nem conhecimentos, para não dar trabalho ao raciocínio. Por isso, às vezes, fazem o papel do avestruz, engolem tudo, mesmo as coisas mais indigestas, mas que lhes dão a sensação de estômago cheio.

Entretanto acaba o aparelho digestivo perdendo a sua função. Aí acordam e sentem atrás de si um passado enganoso e perturbador. É o sofrimento que bate à porta para despertar-lhes o raciocínio atrofiado por falta de exercício.

Esta é a lição que todos terão que aprender, mais dia, menos dia, embora lhes custe mais sacrifícios, mais lutas, mais sofrimentos.

Publicado em 8 de dezembro de 1962.