Os buracos negros têm sido objeto de muita curiosidade. Quantos mistérios, especulações e mal-interpretações giram em torno deles! São capazes de “engolir”, e engolem, estrelas em sua vizinhança. Contudo, não há maiores segredos e podem ser compreendidos sem necessidade de profundas lucubrações teóricas. Vamos tentar entendê-los. Para começar, buracos negros não são buracos. Ao contrário, são regiões do Universo onde existe matéria em estado de altíssima concentração (os cientistas dizem “de altíssima densidade”).
Para se ter uma ideia do que seja “densidade”, retire o miolo de um pão não endurecido. Nestas condições, o miolo é facilmente moldável. Aperte-o para dar-lhe a forma de uma bola. Quanto mais você aperta, menor e mais duro fica o miolo. Como o material ficou confinado a um volume menor, diz-se que sua densidade aumentou. Densidade está, então, associada à quantidade de matéria e o volume que ocupa.
Se um buraco negro não é um buraco, por que ele tem esse nome? Foi o físico J. A. Wheeler que, em 1968, cunhou essa expressão para indicar que nada do que acontece nessa região do Universo pode ser visto. Por que não pode ser visto? Por uma razão bastante simples. Para ver alguma coisa, essa coisa deve emitir luz que chega até os nossos olhos. Se não emite luz, não são visíveis nem para nós nem para sofisticados aparelhos óticos.
Por outro lado, os buracos negros emitem luz. Ora, se emitem luz, por que não os vemos? Outra vez, a resposta é muito simples. Luz são diminutas partículas que têm energia e, portanto, são atraídas por campos gravitacionais. No caso do buraco negro, ele emite luz que tenta se propagar pelo espaço (como a luz do Sol). Contudo, a força gravitacional de um buraco negro é tão forte que atrai a luz de volta. Como acontece com uma pedra que atiramos para cima, a força gravitacional da Terra a faz cair de volta.
Na nossa galáxia, a Via Láctea, há um buraco negro, chamado de Sagittarius A. Ele é tão grande que se fosse colocado onde se encontra o Sol, sua superfície se estenderia além da órbita de Plutão.
Se não vemos um buraco negro, como podemos saber que existe? A presença de um buraco negro é acusada pelos efeitos gravitacionais que provoca nas suas vizinhanças. Se grandes quantidades de matéria são observadas se deslocando no espaço para um certo ponto, sem causa aparente, isso é uma forte indicação da presença de um buraco negro naquele ponto. Qual o tamanho de um buraco negro? As teorias da Física indicam que pode ter qualquer tamanho, desde microscópico ao astronômico. Por outro lado, uma vez formado, o seu tamanho começa a diminuir incessantemente devido, outra vez, à forte força gravitacional que ele gera.

