Constituição do lar

Não construa sobre areia ou pedra movediça. . .

Uma obra que deverá desafiar o tempo requer base sólida. Eis um providencial princípio de organização e eficiência que nos ensina e orienta sobre desempenhos, à percepção de que os efetuados precipitadamente quase sempre dão resultados indesejáveis.

Em sentido moral, uma das grandes obras que na Terra se ergue e que deve merecer meditação, raciocínio e prudência é a constituição do lar.

A mocidade tem, quase que geralmente, sua natural tendência ao casamento. Idade dos róseos sonhos de amor e mentes povoadas de idealismo e esperança. Encarrega-se a natureza de despertar e induzir a juventude aos precípites acontecimentos que se harmonizam em vibração ao “crescei e multiplicai-vos”. E todos seguem essa marcha de progressividade a que teremos de nos submeter, numa alternativa de prazeres e sofrimentos naturais à própria vida.

A auréola de felicidade no lar consiste, unicamente, na harmonia aí reinante. Nunca é  num palminho de rosto ou na elegância do porte, mas num reajuste de almas afeitas ao mútuo entendimento, ao ideal do trabalho e economia, num congraçamento de amizade e tolerância dentro de certo limite, e que cada cônjuge coopere, abnegadamente, pelo mútuo bem-estar.

As falhas que se observam em certos casais, perturbando a vida conjugal são motivadas, as mais das vezes, por interesses de finalidade comercial ou falta de educação, a contrastar com a posição social, como pelo gênio ou temperamento irrefletido.

A harmonia, lealdade, compreensão nos objetivos da vida formam um tesouro que nada consegue desgastar. É à base de um raciocínio esclarecido que deve nascer e crescer o amor, o verdadeiro amor que, em vez de se mesclar com impurezas, vícios e maus hábitos, a exemplar a prole, viceja puro e imarcescível, nobilita as criaturas, cujas almas irão evoluindo.

E não é para outra objetividade que se reencarna aqui na Terra.

Há homens que, após lutas e trabalhos, conseguem corrigir seus defeitos; mas quando assim não acontece, em que situação, em que desespero, em que martírio colocam a infeliz esposa, ligada ao cônjuge dissoluto e viciado?

Lemos de alguém que “o espírito não pode aprisionar-se a outro, neste mundo, senão por meio de elos indissolúveis forjados em seus mundos de luz, a solidificar-se com os tempos, desafiando os milênios.”

Em suma: perfeição física é efêmera, enquanto a espiritual é conquistável e eterna. Razão por que, sem se desprezar a física (qual um aparelhamento útil), devemos velar pela espiritual, cuja base está no bom entendimento quanto à organização que se denomina lar.

Publicado em 20 de junho de  1964.