Moderadores do Grupo RC já esclareceram de forma satisfatória a dúvida de alguns leitores sobre o conceito de nova existência compulsória e sobre a relação entre liberdade e responsabilidade. Na verdade, o termo: “nova existência compulsória” não consta da literatura racionalista cristã, mas, pelas explicações constantes do capítulo 8 (Falecimento do ser humano e recomeço da vida) livro Racionalismo Cristão, podemos compreender como o espírito retorna à Terra, em novo corpo humano.
Quanto à questão liberdade e responsabilidade, podemos ampliar a explicação dos moderadores recordando alguns conceitos inseridos no capítulo 6 (Livre-arbítrio e responsabilidade) do livro Racionalismo Cristão, 46ª edição.
Diz o capítulo: “Livre-arbítrio quer dizer liberdade plena de ação, tanto para o bem quanto para o mal. É uma faculdade espiritual orientada pelo raciocínio e controlada pela vontade.”
“Sendo assim, quanto mais lúcido for o raciocínio e quanto maior for a força de vontade melhor e fácil será o uso correto e seguro do livre-arbítrio na vida cotidiana.”
“Ainda que o livre-arbítrio seja um direito do ser humano, seu uso não é totalmente pleno como muitas pessoas pensam, porque ele está sujeito aos limites impostos por normas que regulamentam os relacionamentos entre as pessoas e as atividades em geral nas sociedades organizadas no plano físico.”
“A ninguém é solicitado mais do que pode dar. O bom uso do livre-arbítrio está dentro da capacidade de cada ser humano. Por que, então, cometer erros que fazem da vida um tormento? Por que tantas pessoas se deixam envolver em esfuziantes emoções relacionadas a um viver materializado, tão precárias quanto enganadoras? Ao se deixar governar por impulsos e influências externas, o ser humano escolhe a decisão mais fácil.”
“É, pois, do máximo interesse o conhecimento da responsabilidade que cada pessoa tem no governo do livre-arbítrio. Essa responsabilidade faz parte integrante da vida, sendo, por isso, irrecusável e intransferível. É inútil negá-la, como é inútil a tentativa de escapar às suas consequências. Conceder perdão divino para crimes, falcatruas e prevaricações não tem qualquer sentido na vida espiritual.”
“O que se impõe, acima de tudo, é a necessidade inadiável de todos enfrentarem com determinação, coragem e valor os problemas e as responsabilidades da vida.”
“O erro precisa ser conhecido para poder ser evitado. São incalculáveis os males resultantes do desconhecimento do que representa o livre-arbítrio na vida humana, pois, com essa faculdade bem conduzida não haveria tantas existências mal aproveitadas.”
Recomeço da vida. O termo “nova existência compulsória” não consta da literatura racionalista cristã, mas é possível compreender como o espírito retorna à Terra, em novo corpo humano O capítulo Falecimento do ser humano e recomeço da vida nos diz: “O esclarecimento a respeito de como se processa a evolução é um grande bem, por ser o meio capaz de levar a pessoa a ver com naturalidade a morte de um ser humano, pelo reconhecimento de tratar-se, tanto quanto seu nascimento, de fato normal no curso da vida.”
“Deixada a atmosfera fluídica da Terra, o espírito constata no campo de estágio o que fez de bem e as ações reprováveis.”
“Somente nos campos de estágio relativos aos seus graus evolutivos, para onde terão de seguir antes de voltarem à Terra para uma nova existência em corpo humano, é que os espíritos livres de toda perturbação psíquica alcançam plena lucidez.”
“Nos campos de estágio, a vida real apresenta-se com limpidez, livre de todas as influências e ilusões terrenas. Nesses campos, os deveres têm uma só interpretação, não havendo, por isso, falsidades, modos suspeitos de ver as coisas, alternativas escusas, situações dúbias, vacilações ou incertezas. Compromisso combinado é dever a ser cumprido.”
“Nos campos de estágio, os espíritos se preparam para cumprir nova etapa do seu processo de crescimento evolutivo. Todos que pertencem a determinada classe do mesmo campo de estágio estão no mesmo nível de evolução.”
“Portanto, não é difícil ao leitor entender que, à luz da espiritualidade defendida pelo Racionalismo Cristão, tão logo ocorre a morte do ser humano assistido pelas Forças Superiores, seu espírito retorna progressivamente ao campo de estágio a que pertence com auxílio de outros espíritos mais evoluídos, para rever toda a existência passada. Examina-a, detida e minuciosamente, faz confrontos, observa o que realizou, ou deixou de realizar, nas vivências anteriores, analisa e estuda a posição em que se encontra, com o fim de estabelecer o recomeço de uma nova jornada, mas nunca o fim do que não termina: a vida espiritual.”
Logo, podemos concluir que todos os espíritos que necessitam retornar à Terra, em corpo humano, fazem-no por iniciativa própria, visto que partem dos campos de estágio relativos aos seus graus evolutivos, onde alcançam plena lucidez, o que lhes permite preparar-se para cumprir nova etapa do seu processo de crescimento evolutivo.
Amilcar M. Guedes, militante espiritualista da Sede Mundial.

