Fator prático

Sem dúvida, uma das formas mais eficazes de alcançar harmonia interior e bem-estar espiritual, estabelecendo um estilo de vida produtivo, ético e coerente, consiste no cultivo de hábitos salutares, como a higiene mental, a concentração e a autoanálise. Entretanto, à luz da espiritualidade proposta pelo Racionalismo Cristão, a prática de tais hábitos, sublimes e elevados em sua essência, requer racionalidade e critério na escolha do momento oportuno e do local apropriado, conforme procuraremos demonstrar na presente reflexão.

Sendo certo que o abandono ou desprezo dos valores espirituais induz os seres humanos às mais condenáveis ações em prejuízo próprio e coletivo, não será difícil avaliar o quão relevante são as práticas mencionadas em nossa introdução, que conduzem à essencialidade da vida e ao despertar para a espiritualidade. Tais práticas, contudo, além de exigir sinceridade de propósitos, coragem para enfrentar as dificuldades e limitações internas, disciplina e capacidade de concentração, pressupõem a observância a determinados critérios exteriores, os quais serão analisados na sequência.

Os amigos que nos acompanham não desconhecem o quanto estimulamos as pessoas a reservar cotidianamente momentos de silêncio e de interiorização, para que se ponham em condições psíquicas de, com ordem e equilíbrio, selecionar seus pensamentos, eliminando os indevidos e fortalecendo os benfazejos, de avaliar seus comportamentos e de projetar mentalmente soluções e situações sempre mais favoráveis para si e sobretudo para a humanidade.

Há, na perspectiva delineada, um fator prático que merece atenção: para que a reflexão ou a meditação – expressões que em nosso meio são semelhantes e intercambiáveis – produzam os resultados almejados, é imperioso observar o momento e o ambiente em que se realizarão, já que estes devem evocar, na medida do possível, paz e serenidade. Cabe aqui uma analogia. Pensemos em uma semente: não é difícil compreender que ela só produzirá frutos sãos e abundantes se os fatores externos, como o clima e o solo, não lhe forem adversos.

Se um professor dificilmente consegue ministrar uma aula em uma sala barulhenta, ainda que ele tenha pleno domínio da matéria, se não é de bom alvitre abordar assuntos graves em momentos de descontração e lazer, se duas pessoas não dialogam produtivamente, mesmo que tratem de assuntos simples, quando situadas em um local onde impera a desordem, como poderemos elevar nossos pensamentos e nos desligar de temas desgastantes e materializados, com o intuito de colher boas intuições e inspirações, se estivermos inseridos em um ambiente turbulento e impróprio? Simplesmente não conseguiremos.

Sabemos que a vida do estudioso da espiritualidade defendida pelo Racionalismo Cristão é permeada por pensamentos e sentimentos de valor. Não há coisa ou ação em que ele não busque estabelecer, direta ou indiretamente, uma relação com os princípios da espiritualidade, que de certa forma o sustentam e o definem. De fato, tudo em sua existência está orientado para uma concepção abrangente e integradora de mundo.

Pela razão apontada anteriormente e movidos por profundo respeito à disciplina que fundamenta nossas práticas, estamos convictos ser oportuno e necessário relembrar não apenas aos que vivenciam de maneira mais próxima a espiritualidade, mas também aos que estão dando os primeiros passos na senda do autoaprimoramento e que frequentemente nos solicitam orientações, que, em meio à atmosfera saturada de materialismo que envolve e influencia grande parte deste planeta de escolaridade, é imprescindível ter critério e racionalidade quanto à escolha dos momentos e lugares em que irão praticar a limpeza psíquica e concentrar-se para irradiar positividade à humanidade. Lembremo-nos, afinal, de que são atividades que jamais podem se desenvolver de maneira mecânica e sem zelo, mas necessariamente de forma elevada e sublime, como prescrevem a literatura e os princípios do Racionalismo Cristão.

Muito Obrigado!