Frege, pai da lógica moderna e um dos pioneiros da filosofia analítica

Filósofo, matemático, criador da lógica moderna e um dos pais da filosofia analítica, Friedrich Ludwig Gottlob Frege nasceu em 8 de novembro de 1848, em Wismar, Alemanha, e faleceu em 26 de julho de 1925, em Bad Kleinen, também cidade alemã.   

Pouco se sabe sobre a infância de Gottlob Frege, mas é certo que ele cresceu num ambiente que cultivava o rigor intelectual e realizou seus estudos de nível superior em duas das mais importantes universidades da Alemanha – a de Jena e a de Göttingen.      

Em 1874 Frege foi agraciado com o título “universitário de Privatdozent” na Faculdade de Matemática da Universidade de Jena, título com o qual recebeu a habilitação de livre-docência. Seria ainda nessa faculdade que construiria sua carreira acadêmica, pois nela lecionaria 44 anos, ascenderia a professor extraordinário e, por fim, a professor honorário.

Vida pessoal. Frege teve uma vida pessoal bastante reservada e marcada pela morte da esposa e a de seus dois filhos, ambos ainda na infância. Além disso, enfrentou persistentes problemas de saúde ao longo da vida, o que influenciou sua carreira, e ao se aposentar, em 1918, aos 70 anos, já estava  muito debilitado e sete anos depois morreria.

Além disso, esse importante mas sofrido filósofo, matemático e lógico germânico chamado Gottlob Frege foi ignorado durante a maior parte de sua vida pelos filósofos e matemáticos de seu tempo. Posteriormente, porém, pensadores como Bertrand Russell (1872-1970), Rudolf Carnap (1891–1970) e Ludwig Wittgenstein (1889-1951) reconheceriam a importância da obra “fregiana“.

Outros nomes fundamentais. Na época do filósofo em causa, houve outros fundamentais nomes na área da lógica, todos  europeus, como ele,  entre os quais Ludwig Wittgenstein (1889-1951), George Boole (1815-1864), Bertrand Russell (1872-1970) e Rudolf Carnap (1891–1970), mas os fundadores das duas grandes eras da lógica são Aristóteles e Gottlob Frege.

A lógica silogística (clássica), de Aristóteles, e a lógica matemática (moderna), de Frege, fundamentais para a história do pensamento, marcam as duas maiores rupturas e avanços na área da lógica. Ao tratar de sua lógica silogística, Aristóteles sistematizou o raciocínio dedutivo com o silogismo e fundou a lógica clássica; e Frege, 20 séculos depois, revolucionaria essa área da ciência com a notação formal e a quantificação, fundando, então, a lógica moderna.

Esse legado científico de ambos fundamenta a lógica e a filosofia do Ocidente. Ao estruturar o pensamento coerente e o método científico, Aristóteles criou a lógica clássica coerente e o método científico. Por sua vez, Frege, 20 séculos depois, revolucionou a lógica moderna e os fundamentos da matemática, inaugurando a filosofia analítica, com a lógica matemática, e o sentido da linguagem.

Grande objetivo. Demonstrar que a aritmética não depende de intuições e sim de leis puramente lógicas foi o grande objetivo da vida de Frege, ideal que realizou ao fundamentar a aritmética na lógica, projeto conhecido como logicismo.     

Na verdade, são três as razões que possibilitaram a Frege revolucionar a lógica: desenvolveu o primeiro sistema formal de lógica de predicados; superou a clássica silogística de Aristóteles ao escrever  Conceitografia, sua “obra seminal”; e introduziu notações simbólicas essenciais, como quantificadores e variáveis.

Além de uma aritmética capaz de expressar proposições complexas que o logicismo clássico não conseguiu, Frege apresenta também uma aritmética considerada a maior realização da lógica na História Moderna.                       

Frege foi também um ferrenho crítico dos adeptos do psicologismo, que consideravam a lógica e a aritmética como ramos da psicologia, baseados em processos mentais subjetivos. Para o ferrenho crítico, os números não são construções da mente e sim objetos platônicos independentes do pensamento humano, que ele definiu usando apenas conceitos lógicos. 

Esse filósofo refere-se ao mundo através da distinção entre sentido e referência. Expressões linguísticas não se conectam diretamente aos objetos; em vez disso elas expressam um sentido (modo de apresentação do objeto) que, por sua vez, determina a referência (o objeto real no mundo).   

Principais obras de Frege: Conceitografia (1879); Os fundamentos da aritmética (1884); Função e conceito (1891); Sobre sentido e referência (1892); e Leis básicas da aritmética (1893).