God! Que que é isso? Tem mais sujeira do que espaço para sujar. Nem lembraram de empurrar para baixo do tapete: é muita certeza de que vai dar tudo certo, é muita certeza de impunidade, certeza de que uma propina aqui, outra ali, anuência de governantes corruptos que acobertam seus auxiliares diretos e outros, garantirão que os dias continuarão amanhecendo e anoitecendo sem solução de continuidade, que a vida seguirá sem intercorrências. O dinheiro que rola não cabe nos baús e carretas que cobrem a malha rodoviária do país e ainda sobram as moedas, cujo montante está sendo descartado da contabilidade de fraudes, porque estão apenas na casa dos milhões. E o total das fraudes monta a bilhões.
A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria Geral da República (PRG) nunca trabalharam tanto, figuras antes insuspeitas jamais estiveram na berlinda compondo as listas de investigados por suspeita de práticas ilícitas no mercado financeiro. Deve haver muita gente com a orelha na seringa temendo ser arrolada no bloco dos bandidos de colarinho branco. Não acreditamos que haja inocentes nesse meio sujo, ninguém é trapaceiro, golpista, por um descuido da natureza, o vigarista, se não nasce com sua vil trajetória estabelecida, a desenvolve a partir de seu instinto, ora numa carreira solo, ora associando-se a semelhantes para melhor proveito em sua sanha descartando-os depois de aproveitar-se de ingênuos.
Por força dos polpudos ingredientes, o bolo desses maus indivíduos cresce, avoluma-se desmedidamente a ponto de, por favorecimentos, permitir a compra de parceiros, arregimentando-os para sua prática e calando-lhes a boca em obediência às vantagens recebidas. E assim, com as burras cada vez mais entulhadas, segue a procissão, à frente o chefe da gangue, visto como respeitável cidadão, espalhando os lucros de seus diversificados negócios protegidos por uma capa de legalidade. É de se perguntar: como essa hedionda trajetória foi engendrada em um cérebro, sem parcerias, ajudantes, assessores – um único cérebro! Que força, que capacidade, que aptidão para o que não presta!
Não se trata de aplicar o dito popular de contar o milagre e não contar o santo. Somente alguém totalmente desinformado ainda não identificou: falamos do Banco Master e seu mentor, Daniel Vorcaro. As maracutaias estão sendo deslindadas e o caso foi parar do Supremo Tribunal Federal (STF).
Não bastava a decepção que o conhecimento dessas mutretas causou, era preciso mais. Manda que o povo suporta! Cada dia uma novidade, cada dia uma surpresa, mais uma menos uma não anulará a eterna esperança popular de dias melhores, dias de políticos honestos, interessados no bem da massa que lhes garante emprego, vencimentos e outras vantagens, dias sem nebulosidade moral e falcatruas, dias de sol radiante que transmite alegria e confiança. Mas, como sustentam os mais otimistas, nada está tão ruim que não possa piorar, e eis que vem a cacetada final, que pode não ser a decisiva, porque se há espaço para piorar…
Tratamos até aqui do Banco Master. Falemos agora do Banco Digimais, alvo de investigações da Polícia Federal por suspeitas de fraudes financeiras. A instituição, de propriedade do grupo do homem de dois bilhões de dólares, que fala, fatura e arrecada em nome de um deus, aparentemente seguiu as pegadas do Master na perpetração de irregularidades em prejuízo do Sistema Financeiro. De posse de dados até agora incontestáveis, a PF iniciou a investigação em ação que denominou Operação Miragem, levando em conta relatório do Banco Central sobre irregularidades na administração do Digimais. Já estão bloqueados pela Justiça valores e bens no montante de R$ 670 milhões, de pessoas e estruturas ligadas à gestão do banco. Investigadores apontam o uso de fundos de investimento para mascarar créditos vencidos e inflar o patrimônio da instituição.
A figura exponencial do Digimais, ainda que não esteja à frente dos negócios, é um ser que comenta as Escrituras condensadas no livro preto mas aparentemente não as leva a sério. Lá se lê, no Evangelho de Mateus, capítulo 6, versículos 19 a 21: “Não ajunteis tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.” Ora, como chegar à fortuna de US$ 2 bilhões (algo em torno de R$ 10 bilhões) deixando para trás tão rico ensinamento de Jesus? Onde está a tão proclamada e desmonetizada fé?
Teme-se que a farra do Master degenere num indesejável e incontrolável efeito cascata, sacrificando ainda mais este Brasil de rimas mil.

