Que qui é isso, companheiro?

Causou mal-estar nacional e velada repercussão internacional a discussão entre os ministros Roberto Barroso  e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, numa sessão plenária. Não foi a primeira nem será a última, infelizmente, envolvendo esses ou outros atores no mesmo palco. Era de se esperar que personalidades de caráter acima de qualquer suspeita, reputação ilibada e reconhecido saber jurídico tivessem controle emocional e educação suficientes para não trocar ofensas publicamente. Roupa suja se lava em casa, diziam nossos avós. Pontos de vista ou interpretações divergentes sempre ocorrerão, porque alcançar a unanimidade é difícil, mas acusações violentas são deploráveis, como deploráveis são as atitudes que lhes deram origem. Ouviram-se palavras que não deveriam ter sido pronunciadas no STF, e o clima não ficou mais tenso com o imediato revide por causa da suspensão da sessão. Foi profundamente desagradável.

O vergonhoso incidente ocorre num momento em que a população brasileira aguarda importantes decisões do Supremo, confia na serenidade dos seus ministros e espera a perfeita harmonia na corte. Nesse mesmo momento a população enfrenta o problema da violência, cujos índices em alguma cidades vêm elevando-se desmedidamente e há muito superaram todos os limites. Do bom senso e da paciência; da expectativa e da esperança, da esperança em dias melhores que norteia os comentários transmitidos através desta coluna.

Ao chegarmos a este ponto é inevitável indagar: e a intervenção federal nos órgãos da Segurança do Rio de Janeiro por onde andará? O que tem feito? Que rua ou avenida da cidade oferece segurança ao pedestre, cliente de loja ou motorista? É de se apelar:

Intervenção
Cadê você
Eu vim aqui
Só pra te ver (sic)

Chega de planejamento; a população quer resultados. Mata-se tanto quanto se matava antes das mexidas administrativas nos postos-chaves da Segurança; não diminuiu o número de roubos e de assaltos; mas se deve reconhecer que estão diminuindo os discursos, quer por falta de novidade, quer por falta de plateia.