Receio sem fundamento

A vida demonstra que existe um número considerável de pessoas que adiam decisões importantes por medo de cometer erros. Em geral, essas pessoas não erram, mas também não acertam — e, o que é pior, não somam nada de positivo à sua bagagem de experiências. Esta reflexão pretende demonstrar o equívoco lamentável daqueles que agem dessa forma, perdendo oportunidades valiosas de aprendizado.   

Para afastar a dúvida que muitas vezes trava ou atrasa as melhores iniciativas, é indispensável que o ser humano direcione bem sua força de vontade. Ela precisa estar livre de preconceitos e de medos imaginários. Trata-se de uma vontade movida pela confiança, baseada na racionalidade dos ensinamentos do Racionalismo Cristão e esclarecida pela experiência espiritualista. O objetivo deve ser sempre o desenvolvimento das capacidades internas e o fortalecimento do caráter, sem ceder aos impulsos negativos do medo ou da insegurança. 

Muitas pessoas, embora preparadas academicamente e bem desenvolvidas profissional e intelectualmente, mostram-se indecisas diante dos obstáculos que a vida apresenta. Isso ocorre, quase sempre, porque essas pessoas alimentam em suas mentes um sentimento prejudicial de incoerência. 

Fala-se aqui de uma incoerência baseada no fato de que muitos se dedicaram a vida toda a obter conhecimentos científicos, tecnológicos, artísticos ou sociais, mas nunca buscaram conhecer a si mesmos e a sua essência espiritual. Por desconhecerem a força de seus atributos espirituais, permitem que a dúvida os transforme em “adiadores” de decisões, o que os impede de conquistar o que desejam e merecem. 

A adesão firme à verdade e a prática diária dos princípios da espiritualidade — como a honestidade, a ética, a coragem e a disciplina — são os elementos que permitem tomar decisões com segurança e eficácia. Além disso, essa postura livra o ser humano da frustração e do sentimento de inferioridade que surgem de uma vida sem realizações. Assim, as boas decisões ocorrem quando os critérios de escolha são de natureza espiritualista, e não baseados apenas no interesse material ou na busca pelo caminho mais fácil. 

O que o ser humano mais precisa para se desenvolver é tomar decisões. Ao decidir corretamente, ele fortalece diversos atributos, especialmente a autoconfiança. Mesmo quando toma decisões menos acertadas, o ser é beneficiado, pois enriquece seu repertório de experiências. Para isso, basta ter a coragem e a humildade necessárias para corrigir a conduta e o pensamento nos pontos em que a experiência mostrou ser necessário mudar. 

A capacidade de vencer o impulso de deixar tudo para depois e seguir em frente com as decisões necessárias é a marca da pessoa espiritualmente esclarecida. Quem costuma adiar as coisas acaba se tornando prisioneiro de dúvidas e temores sem fundamento. Já o espiritualista avança com determinação, orientado pelos valores e princípios do Racionalismo Cristão. Isso não significa que ele não sinta ansiedade diante de uma escolha difícil, mas o que o diferencia é que, após refletir racionalmente, ele decide sem demora. Ele avança, cresce e transforma a situação em conhecimento prático. 

Cada período da história tem seus próprios desafios e limitações. Contudo, essas circunstâncias — naturais em um mundo de aprendizado — jamais devem ser motivo para adiar decisões ou a realização de objetivos. Pelo contrário, para quem busca o esclarecimento e a ampliação da visão de mundo, os desafios devem representar uma oportunidade real de crescimento espiritual, servindo de inspiração no caminho do autoaperfeiçoamento.    

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