Russell, outro histórico filósofo do grupo pioneiro da filosofia analítica

Bertrand Russell – considerado um dos filósofos de maior destaque em seu tempo – nasceu em 18 de maio de 1872, em Trellech, cidade do País de Gales, e faleceu, quase centenário, em 2 de fevereiro de 1970, em Merioneth, também cidade dessa nação do Reino Unido.                                                          

Em 1890, aos 18 anos, Bertrand Russell ingressou na Universidade de Cambridge, Inglaterra, instituição onde se formou em filosofia, lógica e matemática.

Infelizmente, no entanto, em 1918 Russell esteve confinado, ao longo de seis meses, na prisão de Brixton, em Londres, por causa de seu ativismo pacifista durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e por se opor à participação da Grã-Bretanha

O logicismo, isto é, a “fundamentação de toda a matemática na lógica formal”, teria sido uma das primeiras contribuições desse pensador à filosofia. Realizado com a participação do filósofo inglês Alfred North Whitehead (1861- 1947), esse trabalho resultou na obra Princípios Matemáticos, publicada em três volumes.

Russell foi um dos componentes do histórico grupo de quatro filósofos que fundou, no amanhecer do século XX, a filosofia analítica. Os outros três são Gottlob Frege, tema do artigo anterior desta história do racionalismo, George Edward Moore e Ludwig. Por acreditar que a maioria dos problemas filosóficos tradicionais – especialmente na metafísica – surgia de uma compreensão incompleta da estrutura da linguagem, Russell defendia que a filosofia deveria utilizar o rigor da lógica e da linguagem.                                                                   

A linguagem natural é ambígua e enganosa, o que, no mais das vezes, mascara a forma lógica e real do que se propõe, esclarece o pensador.                                                              

Conforme Russell, a filosofia analítica é um método rigoroso que tem por objetivo resolver problemas filosóficos não por meio de proposições complexas e sim através de afirmações simples e lógicas, aproximando, desse modo, a filosofia do método científico.                                                   

Ao tratar do atomismo lógico, ele afirma  que a estrutura da linguagem, quando analisada corretamente, mostra com exatidão a estrutura da própria realidade.

Ao contrário da metafísica especulativa, Russell prioriza a clareza, a precisão, a análise lógica e o método científico, tendo em vista separar fatos reais de ilusões linguísticas e de suposições enganosas da linguagem comum.

Teoria das Descrições Definidas. Esse conceito filosófico e lógico de Russell nos avisa que a estrutura sintática da linguagem comum engana e que a análise lógica revela o verdadeiro significado das frases.

Empirismo Científico. O conhecimento humano válido, diz Russell, provém da experiência sensorial combinada com a análise lógica.

Ensaios. Por fim, cumpre a este articulista informar que esse grande e notável filósofo notabilizou-se também por seus ensaios. Num deles (Por Que Não Sou Cristão), esse severo crítico do cristianismo qualifica os dogmas religiosos de obstáculos à moral e à ciência e argumenta que a religião não nasce da razão e sim do temor do desconhecido.

Legado. Um estudioso do pensamento ocidental considera que Bertrand Russell, ao defender o uso da lógica, da evidência científica e do pensamento crítico contra o dogma e a superstição, provocou profundo impacto na filosofia da linguagem, na epistemologia e na ética.