Naturalmente voltado à pesquisa de assuntos transcendentes, passei quase 40 anos como um “buscador-borboleta”, pousando aqui e ali sobre as belas — mas, por vezes, espinhosas — flores do jardim das tentativas humanas de aproximação com o espiritual.
Frequentei muitas religiões, práticas e serviços de adoração em sua intensa, embora por vezes ansiosa, busca pela transcendência que muitos chamam de Deus. Afinal, Ele seria real? Teria, de fato, criado tudo? E quanto ao destino pós-túmulo — haveria algum? Ou tudo não passaria de um sonho de eternidade, um desejo de não desaparecer para sempre em um Universo misterioso e vasto demais para criaturas tão pequenas e limitadas como os seres humanos?
Após abraçar o jornalismo, na segunda década de vida, passei a conviver com excelentes profissionais e pensadores. Porém, em sua esmagadora maioria, eram companheiros de redação focados apenas na matéria, em temas “horizontais”, muitas vezes negando o valor da espiritualidade ou — o que mais me entristecia — discriminando as questões “do alto”.
A angústia por respostas aumentou, acompanhada do cansaço com dogmas, da tristeza e da decepção com práticas religiosas muitas vezes distorcidas, além da exploração da fé de pessoas simples, por vezes desesperadas e profundamente necessitadas de amparo.
Já próximo dos 60 anos — e aqui, por respeito às escolhas alheias, não serão listados os templos visitados nem as orações proferidas —, acreditei haver finalmente encontrado um lar ao conhecer o Racionalismo Cristão e passar a frequentar, com assiduidade, suas Casas.
Com ensinamentos claros e uma simplicidade que pode enganar os mais superficiais, mas que recompensa aqueles que mergulham em sua profundidade, o RC tem muito a oferecer tanto a iniciantes quanto a praticantes antigos. Todos encontram respostas para suas dúvidas e têm sua sede interior saciada.
Entre suas características mais marcantes estão a ausência de dogmas, a base em princípios simples e profundos e a rejeição de qualquer forma de adoração. Suas reuniões — tanto na sede mundial, no Rio de Janeiro, quanto nas demais casas no Brasil e no exterior — são pautadas por disciplina e uma atmosfera de serenidade e paz.
Contudo, o que mais me atraiu foi a força que o movimento transmite desde sua origem, em 1910, presente em todas as suas obras, a começar pelo livro Racionalismo Cristão, já em sua 46ª edição. Trata-se de ensinamentos que revelam aos praticantes os recursos que todos os seres humanos possuem: inteligência, raciocínio, lógica, vontade e tantos outros atributos que, quando bem compreendidos e utilizados em prol do bem, favorecem a evolução humana.
Tenho crescido muito em pouco tempo desde que conheci o Racionalismo Cristão. Hoje disponho de uma bússola espiritual, de mais serenidade e de um novo olhar sobre a vida — além de uma coragem esclarecida, não temerária, e um humor mais leve.
Para alguém que passou décadas em buscas infrutíferas, tais conquistas apenas reforçam a admiração e, sim, a gratidão ao Astral Superior e ao mestre Luiz de Mattos por essa verdadeira catedral do espírito que é o Racionalismo Cristão.

