Curuzes! Faz lembrar o maná. Estive lá e vi, alguns anos antes da nossa era: de um lado caíam pizzas de sabores variados, em seguida um apanhado de vinhos italianos. De outro, churrascada. Carnes nobres e abundância de cerveja. Para os mais sofisticados, caía lobster thermidor em mesas ornadas de tulipas.
Não faltavam os vinhos de melhor procedência e safra, além de espumantes de origens divinais e licores top. Não podiam faltar a caipirinha, o whisky cowboy brabo, que naquele tempo nem geladeira disponível havia no deserto, e fartura de tira-gostos de botequim. Não podia haver exclusão, o maná reservava pastéis do china com caldo de cana, muitos pães e toneladas de mortadela fatiada.
Era outra época, era outro mundo, não este em que, agora, chove dinheiro vivo e ninguém pergunta de onde vem (até porque já sabe, ou ao menos desconfia). Basta saber por onde vem para empanturrar suas mochilas, valises, malas, colchões e onde mais couber. Quem tem sido mais privilegiado? São beneficiários do Banco Master, entre outras figurinhas carimbadas, segundo o próprio Daniel Vorcaro, administrador do banco e ora preso: Michel Temer (ex-presidente do Brasil), Ricardo Lewandowski (ex-ministro do STF), Henrique Meirelles, Guido Mantega e Fabio Wajngarten (ex-ministros de Fazenda). Maior escândalo divulgado até agora foi o favorecimento da banca de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre Morais, do STF: R$ 80 milhões. Oh céus; oh terras!
Conforme registra em alguns trechos o Velho Testamento, que conta a história dos judeus, era a saída do Egito e travessia do deserto. O povo sentia fome e o tal maná caía do céu. Os escritos não deixam claro, mas os alimentos não seriam sólidos, palpáveis. E com certeza também não havia vinho nem lagosta.
Nossa paródia é para ilustrar um fato que vinha ocorrendo em nosso quintal, nas nossas barbas e que, aparentemente, acabará com a emenda pior do que o soneto. O rombo, segundo noticiário, pode chegar a R$ 50 bilhões. Onde arranjar tanta grana para ressarcir todos que entraram pelo cano?
Além da distribuição de dinheiro a chefões dos três poderes, o titular do banco agora fechado promovia festas regadas a bebidas caras, não se sabe se entremeadas com detalhes da preferência de alguns consumidores, e enxertava-as de modelos (garotas de programa) para agrado dos convidados. Tinha mais: helicóptero e jatinho para uso dos privilegiados, por necessidade ou lazer.
Ufa, que vidinha mais ou menos levava essa gangue! (JBA)

